Drywall são placas de gesso acartonado que permitem uma construção rápida e limpa. Metaaforicamente, em Meu Casulo de Drywall, pode significar a falsa segurança artificial que a vida num condomínio de luxo oferece aos personagens do longa escrito e dirigido por Caroline Fioratti, que tem um desses como cenário principal.
O olhar do filme é para uma classe de elite paulista concentrando-se numa juventude contemporânea marcada pelo ensimesmamento dentro de uma bolha de privilégios e proteção, mas que não é exatamente capaz de proteger. O que desencadeia a narrativa é o suicídio de Virginia (Bella Piero), no dia seguinte à sua festa de 17 anos, na cobertura da família.
Fioratti, que vem de filmes como Meus 15 Anos, tem um olhar curioso e, em certa medida, terno para essa personagem e seu entorno. Entrelaçando o passado (em flashbacks) e o presente da família e amigos de Virginia, a trama constrói um painel humano a partir dessa tragédia.
Patrícia (Maria Luisa Mendonça), mãe da garota, é, claramente, a mais afetada e se consome em culpa, muito mais do que o pai, um juiz, Roberto (Caco Ciocler). O grupo ao redor da menina, tem reações diversas: a melhor amiga se sente culpada, o namorado faz de tudo para fingir que nada aconteceu, e outro amigo esconde um segredo.
O filme faz o retrato bem delineado de um extrato muito particular da sociedade: a classe média alta paulistana. E mostra uma juventude que se perdeu em si mesma, em sua própria falta de perspectivas e que pouco se importa com o futuro, uma vez que vive inserida num caldeirão de privilégios. Fioratti, como em seus outros filmes, tem talento para construção de atmosfera, assim como os detalhes que acrescentam mais densidade às personagens.
