03/07/2026
Comédia Suspense Drama

Golpe de sorte em Paris

Fanny trabalha numa elegante casa de leilões em Paris. É casada com um empresário rico, Jean Fournier, que a cobre de atenções e presentes caros. Julga-se apaixonada e feliz, até que um dia encontra por acaso, na rua, um velho amigo de escola, o escritor Alain. Agora, ela começa a duvidar de seus sentimentos.

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O idioma francês cai bem a este que é o 50º filme de Woody Allen, uma história que reúne algumas das melhores características de seu estilo e um elenco afinado e em sintonia.

Como sempre, um dos motores do enredo é o acaso. Andando na rua, em Paris, Fanny (Lou de Laâge) reencontra Alain (Nils Schneider), um antigo colega de escola. Há décadas não se viam e o contato acidental é a oportunidade para que ele reviva a velha e nunca declarada paixão pela moça - que hoje é casada com o rico empresário Jean Fournier (Melvil Poupaud).

Nem Fanny, que trabalha numa casa de leilões de arte, sabe muito bem o exato teor das atividades do marido, o que, em algum momento, vai se tornar importante para o desenvolvimento da trama. Enquanto isso, Fanny vai aos poucos deixando-se seduzir pelo charme discreto de Alain, um escritor que termina um livro num pequeno apartamento encantador. 

Uma quarta personagem, Camille (Valérie Lemercier), mãe de Fanny, que parece apreciar o genro ainda mais do que a filha, compartilhando gostos com ele como a caça ao cervo, interfere aos poucos no rumo dos acontecimentos - num determinado momento encarnando um tipo detetivesco que cairia muito bem a Diane Keaton, encantadora figura do passado do diretor.

É inegável que o ambiente francês impregna a história, que toma emprestado a filmes como Match Point alguns elementos sombrios e de suspense, embora num tom menor. Woody Allen ama Paris e sabe servir-se de seus muitos belos cenários como moldura às ações de seus personagens sem tornar seu relato turístico. O ritmo de vida dos personagens é guiado por serem franceses e viverem em Paris e Allen sabe apropriar-se desse elemento em favor da naturalidade de seu comportamento. 

O diretor também domina, como poucos, a técnica de infiltrar um olhar irônico sobre o mundo dos ricos, com seus hábitos, aparências e fofocas, de uma forma que deixa claro que ele é um fino observador dos mecanismos sociais que existem em toda parte. 

Mesmo sem acrescentar, a rigor, nada de novo à sua extensa cinematografia, Golpe de Sorte em Paris está um degrau acima da última obra anterior de Allen, O Festival do Amor (2022). Pode ou não ser o último filme do diretor, que garante ter histórias a contar - mas sabe que não vai dar tempo, por sua avançada idade.

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