18/07/2026
Musical Documentário

Stop Making Sense

Filmado no final de 1983, o documentário traz apresentações da banda Talking Heads no Hollywood Pantages Theatre, no show do álbum Speaking Tongues. No Belas Artes à la Carte.

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Quarenta anos se passaram desde o lançamento original de Stop Making Sense, e o longa de Jonathan Demme e do Talking Heads não envelheceu um dia. Categorizar o filme é difícil. É documentário? É musical? É uma performance? Uma coisa é certa: não é show filmado, embora algum desavisado possa pensar que seja. É um filme que se insere de maneira única na história do cinema, levando à tela de forma documental toda a potência da banda em sua performance. 

Filmado durante três apresentações, em dezembro de 1983, no Hollywood Pantages Theatre, o filme é construído como um único show. A montagem de Lisa Day privilegia a progressão temporal das apresentações, construindo, assim, a própria experiência do show que, em si, tem uma progressão. O filme, assim como a apresentação, começa com o líder da banda, David Byrne, entrando num palco vazio com um grande gravador, do qual ele aperta o play, e de lá saem os primeiros acordes de Pyscho Killer, música que ele apresenta sozinho.

Nas próximas músicas, uma revolução acontece no palco, enquanto a equipe reorganiza a cena e os demais músicos entram no quadro. As músicas são do álbum mais recente na época, o Speaking Tongues, com o maior sucesso Burning Down the House. 

Não há como Byrne não roubar a cena – embora a banda inteira tivesse o mesmo peso e importância. Dos movimentos corporais ao famoso terno gigante, o músico está quase sempre no proscênio da apresentação em sua magreza e aparente fragilidade que escondem o fôlego enorme desse homem com 26 anos na época. Há no entanto, um momento de glória, digamos, para a baixista Tina Weymouth e o baterista Chris Frantz, com a música Genius of Love, outro clássico dos anos de 1980, da banda Tom Tom Club, um projeto paralelo formado pela dupla. 

Demme, trabalhando com o diretor de fotografia Jordan Cronenweth, aproveita os pequenos dramas construídos a partir das músicas para estabelecer dinâmicas nos enquadramentos, e também na montagem. Da história de um psicopata ao paraíso ou procura do lugar ideal, as músicas do Talking Heads encapsulam os ideias de rebeldia dos anos de 1980, de deitar a casa abaixo com fogo, numa época de ascensão do neoconservadorismo e do neoliberalismo do governo de Ronald Reagan. 

O clímax é, óbvio, a entrada de Byrne no terno gigantesco e estranho que permite movimentos estranhos para uma música estranha, Girlfriend is better, de onde, aliás, vem o título do filme: “enquanto envelhecemos/e paramos de ter bom senso/[...] eu arrumei uma namorada, e ela é melhor que aquilo”. Quatro décadas depois, o filme volta aos cinemas como merece: em uma versão restaurada em IMAX, e com o som cristalino e bem alto. 

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