Se os filmes sérios de assalto a bancos lançados no Brasil nos últimos anos não funcionaram, Passagrana tem a seu favor ser uma comédia, o que faz dos absurdos material de humor, não falta de coerência. Escrito e dirigido por Ravel Cabral, ator (um dos poucos brasileiros em Meu amigo pinguim) que estreia na direção, o longa se vale da metalinguagem cinematográfica para criar o grande assalto a banco.
Os protagonistas são quatro amigos que vivem de pequenos golpes no centro de São Paulo, até que pensam num grande golpe mas esbarram num policial corrupto (Caco Ciocler), passando a ter uma dívida enorme com ele. Então, Zoinhu (Wesley Guimarães), Linguinha (Juan Queiroz), Mãodelo (Elzio Vieira) e Alãodelom (Wenry Bueno) bolam um plano mirabolante.
A ideia é assaltar um banco fingindo que se trata de uma filmagem de cinema. Para isso, selecionam atrizes e atores desconhecidos, que “interpretarão” os bandidos. Segundo o quarteto, enquanto prepara esse elenco, num outro galpão estão as pessoas que “farão os papeis de funcionários do banco”. O método é não misturar os grupos para haver mais autenticidade. Entra em cena também Carol Castro, interpretando a si mesma, dizendo que quer participar desse filme ousado e diferente.
Passagrana não sabe muito bem como fugir da previsibilidade. Tudo segue um caminho bem óbvio, mas é bem feitinho. Há química entre o quarteto, e até uma história de amor envolvendo Linguinha e uma jovem atriz (Giovanna Grigio).
A participação de veteranos mais experientes também se destaca no filme. Como Irene Raveche, no papel de uma atriz-assaltante desbocada, e Luciana Paes, como uma caixa de banco. A cena do assalto em si também guarda bons momentos, como quando um ator quer ser destacar, improvisando um monólogo que pode colocar o plano em risco.
