O filme-ensaio Termodielétrico é uma jornada pessoal da diretora Ana Costa Ribeiro, que, a partir da descoberta do efeito físico que dá título ao filme, investiga a história de sua família, começando pelo avô, Joaquim da Costa Ribeiro, um pioneiro da área no Brasil.
A cineasta parte de mementos da família, como cartas e rolos de filmes, que servem como um catalisador para a investigação que combina ciência e poesia. O material-base constitui-se de 11 rolos de filme de 8 mm de seu avô, com cenas da família e de suas viagens pelo mundo. Ele também foi um dos criadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).
Com narração em primeira pessoa, num tom constante, à la Petra Costa (Democracia em Vertigem), Ana conta sobre a trajetória do avô e do pai até chegar à sua geração. Nessa jornada, fala sobre o desenvolvimento científico do Brasil do ponto de vista das recordações e anotações de Joaquim da Costa Ribeiro.
Momentos como a visita da física e química Marie Curie ao Brasil, em 1926, ganha destaque e gera uma digressão sobre a carreira da polonesa, ganhadora de dois prêmios Nobel, e de suas filhas, uma delas também cientista nobelizada e a outra jornalista e pianista. São momentos como esse em que a diretora se desvia da trajetória da família que trazem mais cor ao filme, mas também levam a uma relativa perda do foco, que custa um tempo a reencontrar.
Termodielétrico é um filme repleto de boas intenções, mas não deixa de ser o retrato de uma vida de classe média pacata, na qual a ciência é uma parte fundamental. É um registro bonito, mas é possível que funcionasse melhor se fosse um curta.
