18/07/2026
Documentário

Termodielétrico

Buscando histórias de sua família, a diretora Ana Costa Ribeiro descobriu cartas e filmes de seus avós e seu pai. A partir desse material, ela resgata a trajetória da família tendo como ponto de partida seu avô, Joaquim da Costa Ribeiro, um importante físico.

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O filme-ensaio Termodielétrico é uma jornada pessoal da diretora Ana Costa Ribeiro, que, a partir da descoberta do efeito físico que dá título ao filme, investiga a história de sua família, começando pelo avô, Joaquim da Costa Ribeiro, um pioneiro da área no Brasil. 

A cineasta parte de mementos da família, como cartas e rolos de filmes, que servem como um catalisador para a investigação que combina ciência e poesia. O material-base constitui-se de 11 rolos de filme de 8 mm de seu avô, com cenas da família e de suas viagens pelo mundo. Ele também foi um dos criadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

Com narração em primeira pessoa, num tom constante, à la Petra Costa (Democracia em Vertigem), Ana conta sobre a trajetória do avô e do pai até chegar à sua geração. Nessa jornada, fala sobre o desenvolvimento científico do Brasil do ponto de vista das recordações e anotações de Joaquim da Costa Ribeiro.

Momentos como a visita da física e química Marie Curie ao Brasil, em 1926, ganha destaque e gera uma digressão sobre a carreira da polonesa, ganhadora de dois prêmios Nobel, e de suas filhas, uma delas também cientista nobelizada e a outra jornalista e pianista. São momentos como esse em que a diretora se desvia da trajetória da família que trazem mais cor ao filme, mas também levam a uma relativa perda do foco, que custa um tempo a reencontrar. 

Termodielétrico é um filme repleto de boas intenções, mas não deixa de ser o retrato de uma vida de classe média pacata, na qual a ciência é uma parte fundamental. É um registro bonito, mas é possível que funcionasse melhor se fosse um curta. 

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