03/07/2026
Drama

O Aprendiz

Jovem milionário, Donald Trump auxilia seu pai em escusos negócios imobiliários. Nessa fase, conhece o advogado de extrema direita Roy Cohn, com quem aprenderá a ser muito mais impiedoso e sem escrúpulos. No Prime Video.

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Sebastian Stan entrega uma ótima performance na pele do jovem Donald Trump em O Aprendiz, em que o diretor iraniano-dinamarquês Ali Abbasi disseca a fundo a figura do presidente norte-americano.

Partindo de um roteiro de Gabriel Sherman, Abbasi (que competiu em Cannes em 2022 com Holy Spider, vencedor do prêmio de melhor atriz para Zar Amir Ebrahimi) compõe uma espécie de biografia radical de Trump, expondo o processo de formação de uma personalidade agressiva e sem escrúpulos. Completando a orientação feroz do pai, o empresário imobiliário Fred Trump (Martin Donovan), que ensina aos filhos que só podem ser matadores ou perdedores, aparece na vida de Donald o advogado Roy Cohn (uma interpretação excelente de Jeremy Strong).

Indicado ao Oscar e ao Bafta por este papel, Stan, que já venceu o troféu de interpretação em Berlim com A Different Man, de Aaron Schimberg, expõe com segurança as camadas de seu protagonista, desnudando seu firme aprendizado com Cohn, um sujeito sem qualquer escrúpulo, vinculado à extrema-direita desde o macarthismo e ligado a mafiosos - que também se associam aos negócios do jovem Trump, que se revela um hábil manobrista para esquivar-se do pagamento de impostos.

O resultado dessa convivência é a atuação cada vez mais desavergonhada de Trump em direção aos seus objetivos, baseada em ataques constantes, na sustentação pública de uma verdade própria e nunca admitir nenhuma derrota - moldando sua conduta como empresário e mais ainda como político.

Nesse universo de masculinidade tóxica, a presença de Ivana (Maria Bakalova), a primeira mulher de Trump, marca um pequeno espaço de sobrevivência de uma figura mais humana. Outra qualidade é que a direção de Abbasi não envereda por nenhuma caricaturização dos personagens. Ao contrário, mesmo perversos, Trump e Cohn são humanos, têm nuances, o que enriquece o filme de camadas de apreciação. 

Embalando essa proposta dramatúrgica sólida, a fotografia do dinamarquês Kasper Tuxen alterna as cores e brilhos que vão moldando a irresistível ascensão de um perigoso tirano bufão. Todos nós sabemos no que deu esse sinistro processo de formação, colocando em risco não só os EUA, mas o mundo inteiro. Lembrando disso com a volta de Trump na ordem do dia, o filme chega em boa hora. 

Trump, aliás, já protestou contra o filme, como seria de se esperar. Não é mesmo um retrato edificante nem bajulador o que emerge aqui. 

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