03/07/2026
Drama

O Voo do Anjo

Vitor (Othon Bastos) é um professor aposentado de bom humor, mas solitário, até que conhece Arthur (Emílio Orciollo Netto), um ex-professor que vive deprimido por conta de um trauma. Do nascimento dessa amizade, as vidas de ambos se transformam.

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É um golpe baixo em filmes quando uma criança precisa morrer para que adultos passem por grandes transformações, como é o caso de O Voo do Anjo, dirigido por Alberto Araújo. Vitor (Othon Bastos) é um professor de física aposentado e viúvo, que mora com seu filho cirurgião numa cobertura luxuosa, mas está sempre sozinho. 

Na noite do seu aniversário, o filho não pode jantar com ele, e pede que o jantar seja entregue em sua casa. O entregador é Arthur (Emílio Orciollo Netto), que, depois de entrar no apartamento, pede um copo de água e, enquanto está sozinho, tenta se jogar da sacada. Vitor consegue dissuadi-lo, e o rapaz conta sua triste história: professor de sociologia, ele estava com filha pequena numa festa, quando ela caiu de uma cobertura. Então, para pagar uma espécie de dívida com a ex-mulher e a família, ele pensa em fazer o mesmo. 

Quando o filho médico de Vitor precisa viajar, ele contrata Arthur para cuidar do pai. Os dois passam o tempo juntos, e a vida de ambos se transforma. O ex-professor de física mostra poemas ao novo amigo deprimido. Entre eles, está Eu, de Augusto dos Anjos, um poema soturno e pouco indicado a pessoas deprimidas, mas no filme se parece ignorar isso. Há momentos constrangedores, como o merchandising de uma vinícola e as saídas cômicas que sobram para a empregada. 

Tratando de temas complexos como a morte de uma criança, depressão e suicídio, o longa não consegue retratar com a devida complexidade essas questões. Tudo é raso e caricato, e os clichês estão por todos os lados. O tom cômico não soa bom, nem convincente, com uma trilha sonora que pouco combina com o filme e toca o tempo todo. Mas o que é mais inexplicável é o que o veterano Othon Bastos está fazendo nesse filme.  

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