03/07/2026
Drama

Agreste

Etevaldo e Maria estão em fuga pelo sertão, depois que ela abandonou a família para ficar com ele. Eles acabam encontrando abrigo junto a uma senhora, Valda, que os acolhe como filhos. Vivem sua vida tranquilamente até que um dia um segredo vem à tona, expondo-os à intolerância. Nos cinemas.

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Não deixa de ser uma ousadia um diretor paulistano, no caso, Sérgio Roizenblit, assinar um filme tão nordestino em cenário e dramaturgia quanto Agreste. Mas a verdade é que a fonte de inspiração foi uma peça de um autor nordestino, Newton Moreno, que fez muito sucesso no teatro em S. Paulo, na versão dirigida por Márcio Aurélio. E houve uma preocupação estrita em manter total fidelidade ao universo e aos sotaques do Nordeste, filmando no sertão e escalando um elenco totalmente nordestino – encabeçado por Aury Porto e Badu Morais, que vivem o casal em fuga de uma história que deve tanto a Romeu e Julieta quanto a Vidas Secas, em cuja fotografia, aliás, Roizenblit afirmou se inspirar, para ser fiel à luz peculiar do sertão.

Mas é verdade também que Roizenblit não é estranho ao Nordeste, tendo filmado ali seu documentário O Milagre de Santa Luzia (2009), que acompanhava viagens musicais de Dominguinhos. Além disso, o diretor paulistano participou do projeto Cais do Sertão, tendo sido através de viagens para ele realizadas que conheceu as locações de Agreste, em Quixadá e Curaçá, na beira do rio São Francisco.

Numa produção muito cuidada tecnicamente, da fotografia assinada por Humberto Bassanello à trilha musical de Dante Ozzetti, o filme vincula-se a uma dramaturgia clássica, amparada num texto arcaico que remete a questões ancestrais, como a intolerância.

A intolerância, no caso, liga-se mais a questões de gênero e comportamento, que vão se delineando ao longo da história d o casal Etevaldo (Aury Porto) e Maria (Badu Morais). Ela foge de casa para juntar-se a ele e os dois encontram abrigo na casa de uma senhora, Valda (Luci Pereira), que os acolhe como filhos, demonstrando um carinho que nega à própria filha, que expulsou de casa quando engravidou.

Este hiato de tranquilidade caminha para um final turbulento, em que outras pulsões vão expressar-se – e aí se enxerga outra inspiração, a de Grande Sertão, Veredas, de Guimarães Rosa.

No Cine PE 2023, o filme venceu três prêmios: melhor fotografia (Humberto Bassanello), ator coadjuvante (Roberto Rezende) e atriz coadjuvante (Luci Pereira). 

 

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