03/07/2026
Drama

Sebastian

Max começa a se destacar com a publicação de contos de sucesso, e acredita que deve escrever seu primeiro romance. A obra será sobre trabalhadores do sexo, e, para isso, faz uma pesquisa se prostituindo por meio de um site de acompanhantes. Ele, porém, acaba perdendo controle disso.

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Max (Ruaridh Mollica) é um aspirante a escritor que está redigindo seu primeiro romance, sobre um jovem trabalhador do sexo. A certa altura, a editora do livro diz que o romance, conforme a narrativa anda, a trama não está mais funcionando. Curiosamente, é exatamente o que acontece com Sebastian, um filme que nem começa muito bem, aliás, e se torna completamente desgovernado com o tempo. 

Sebastian é o nome do alter-ego de Max, que começa a se prostituir para pesquisar como seria a vida desse personagem. O filme, escrito e dirigido por Mikko Mäkelä, começa com o protagonista atendendo um homem mais velho. Depois do sexo, ele sai do hotel e vomita na rua. Talvez exista um moralismo – ou um etarismo – tão enraizado no protagonista que sua resposta ao que acabou de fazer seja física. 

Max tem 25 anos, mora em Londres, e trabalha de freelancer escrevendo sobre literatura para uma revista. Isso serve como pretexto para o filme jogar quase que aleatoriamente nomes como Brett Easton Ellis, Zadie Smith, Rachel Cusk e Leïla Slimani. É algo meramente exibicionista e esnobe da parte do longa, que parece, assim, como seu personagem, encantado com o status de escritor intelectual. Tudo isso é tratado de forma tão enfadonha, que se torna chato e pedante até para quem se interessa pelo assunto.

Acompanhamos o cotidiano de Max, entre uma pauta e outra para a revista, encontrando tempo para novos clientes e para redigir o romance a partir dessas experiências. O longa segue com isso até que ele conhece Nicholas (Jonathan Hyde), professor aposentado de Teoria Literária, que, uau, pode dar dicas a Max, que, aliás, tem certa fama por conta de seus contos.

Nesse momento, o filme se transforma, assim como o protagonista, cujo moralismo parece dar espaço a um oportunismo velado, que pode se transformar em amor romântico pelo homem mais velho. É sobre essa reviravolta no romance que a editora diz a Max discordar, e é exatamente o que acontece com o filme. Mäkelä parecia já saber que o filme receberia as mesmas críticas, e se adianta nas palavras do rapaz: parece querer provar que possa existir uma relação sincera entre dois homens gays de gerações distintas. 

Haveria inúmeras formas de lidar com isso e evitar clichês, mas não é este o interesse de Sebastian, o filme. O caminho romântico que ele toma é, afinal, um tanto previsível. Na primeira parte, tudo dá muito certo muito rápido para Max, na segunda, tudo dá errado por muito tempo. Não há um equilíbrio que dê uma dimensão humana ao personagem, assim, o resultado é artificial e mais parece querer provar uma tese do diretor do que ser cinema mesmo.  

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