03/07/2026
Comédia Drama

Anora

Anora, que prefere ser chamada de Ani, é uma das mais disputadas garotas de uma boate de escort girls em Nova York. Um dia, aparece por lá, Ivan, um jovem e desvairado milionário russo. Ele se apaixona por ela e quer casar-se. Tudo parece estar mudando na vida de Ani. Até que gângsters a mando da família dele aparecem para restabelecer a ordem ao seu modo. No Prime Video.

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Desde a sua surpreendente premiação com a Palma de Ouro em Cannes 2024, o filme de Sean Baker vem acumulando indicações a prêmios e semeando simpatia. Qualidades, é verdade, não faltam a este que é o quarto longa de um diretor independente que já tinha cavado seu lugar no mundo com títulos como Red Rocket (que concorreu em Cannes 2021), Tangerina (2015) e o cult Projeto Flórida (2017). 

A grande força do filme é como Baker, também autor do roteiro, entrega uma protagonista cheia de vida e atitude, feminista a seu modo. Anora (Mikey Madison), uma neta de russos que prefere ser chamada de Ani, é uma escort girl e uma das estrelas da boate onde trabalha, em Nova York. Um dia, seu caminho se cruza com o de Ivan (Mark Eidelshteyn), um rico e inconsequente jovem herdeiro de uma família de milionários russos.

Não se sabe a origem do dinheiro dessa família, mas é notório que vem de negócios escusos. Ivan ainda não está no comando deles e leva sua vida de diversão como se não houvesse amanhã, levando Ani com ele. A moça é esperta mas se empolga com a oportunidade de subir na vida, ainda mais quando, numa de suas viagens, eles acabam se casando em Las Vegas. E o filme nem chegou à metade.

A grande sacada do diretor e roteirista é criar um turbilhão de situações brincando com as expectativas do público em relação a filmes de gênero, tornando os gângsters, que fatalmente vão aparecer para resgatar Ivan de volta para as garras de sua família mafiosa, bem mais patéticos e menos letais do que se imagina à primeira vista. E levando a pior muitas vezes da miúda mas aguerrida Ani. 

Apesar da duração (2h26), o filme sustenta o ritmo e é divertido, aproveitando bem seus personagens, em que se destaca o capanga Igor (Yura Borisov), que tem na trama uma participação mais expressiva do que parece quando ele entra em cena na primeira vez. Esta é mais uma das boas surpresas do filme, que acumulou premiações, inclusive 5 Oscars: melhor filme, diretor, montagem, roteiro original e atriz para Mikey Madison.   

Deste modo, Anora tem tudo para ser o passaporte para o estrelato para a adorável Mikey Madison, que veio construindo sua carreira a partir da série Better Things, conquistando uma chance em Era Uma Vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino e, finalmente, sendo uma cara nova no remake de 2022 de Pânico

Por outro lado, por mais agradável que seja o filme, a Palma de Ouro me pareceu demais para ele, numa competição em que havia pela frente o admirável A Semente do Fruto Sagrado, do iraniano Mohammad Rasoulof - ao qual restou, em Cannes, um prêmio de consolação com um Prêmio do Júri especial que sequer figurava entre as premiações previstas. Este, um tremendo vacilo do júri presidido pela cineasta norte-americana Greta Gerwig.

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