10/06/2026
Comédia Drama

Os Sapos

Paula vai à casa isolada alugada pelo amigo Marcelo, que não vê desde o colegial. Iria acontecer um churrasco com amigos da época, mas o rapaz cancelou o evento e esqueceu de a avisar. Ao mesmo tempo, a chegada dela traz à tona problemas com Marcelo e sua namorada, e também na vida de outro casal.

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A comédia Os Sapos começa até bastante bem, numa situação de desconforto cômico. Paula (Thalita Carauta, excelente, como sempre) chega a uma casa isolada de tudo (“Sua casa é uma poesia”, diz ela), no meio do mato, onde irá participar de um churrasco com amigos do colégio, organizado por Marcelo (Pierre Santos). Acontece que ele esqueceu de avisá-la que cancelou o evento. Sem graça e sem ter para onde ir, Paula aceita ficar até o dia seguinte na casa alugada pelo amigo e sua namorada, Luciana (Karina Ramil), mas é aí que dá tudo errado.

Partindo de uma peça de Renata Mizrahi, que também assina o roteiro, o filme de Clara Linhart constrói esse começo sem pressa, delineando personagens e aprofundando cada vez mais no constrangimento da situação. Paula e Luciana não se conheciam, e essa morre de ciúmes do namorado, que, por sua vez, parece acreditar que vivem uma relação aberta. 

Entra em cena, logo, Claudio (Paulo Hamilton), um músico que está na “casa mais próxima” (embora seja bem longe), e que está organizando um concerto na casa de um fulano que adora música. Depois, Paula conhece Fabiana (Verônica Reis, que fez a personagem Paula no teatro), mulher dele, uma vendedora de butique cara que sonha em ser escritora. 

Mizrahi e Linhart armam esse jogo em pouco tempo de filme, e logo uma situação de abuso degringola o que poderia ser uma noite divertida em torno de uma fogueira com batata e violão. É muito claro aonde a diretora e a roteirista querem chegar, e é ainda mais interessante o que têm a dizer sobre relacionamentos abusivos. 

Abusos podem ocorrer em diversas formas – da física à verbal ou emocional – mas sempre são abusos que deixam marcas nas suas vítimas. Essas, por sua vez, nem sempre conseguem abandonar o abusador, por mais claro que seja o quão perigosa é a relação. Ou seja, é um filme com uma tese, que sabe como chegar a ela, mas tem dificuldade em traçar seu caminho. 

Com 77 minutos, Os Sapos é apressado, em especial em sua segunda metade, após o evento catalisador. Tudo ocorre muito rápido, são coisas demais em pouco tempo, o excesso de informações e reviravoltas parece tirar a força que tudo isso deveria ter, assim como sua dificuldade em chegar a um fim. É uma pena, pois o começo é promissor com seu humor peculiar e o elenco é bastante bom. Esse é um retrato de uma faixa etária que foi adolescente no final dos anos de 1990, e hoje precisa compreender como o mundo mudou, especialmente nas dinâmicas de gênero. 

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