03/07/2026
Drama Drama religioso

Fé para o Impossível

Enquanto fazia cooper pela orla de uma praia no Rio, uma pastora evangélica estadunidense é atacada por um homem em situação de rua, que disfere inúmeros golpes em sua cabeça. No hospital, os médicos dão sua recuperação como impossível. Mas, aparentemente graças à fé de seu marido, que faz vídeos pedindo orações, ela se recupera.

post-ex_7

Religião e cinema é uma mistura complexa. Um dos maiores filmes sobre religião, O Evangelho Segundo São Matheus, foi feito por um comunista ateu, Pier Paolo Pasolini. Mas há outros exemplos, como A Última Tentação de Cristo, do católico Martin Scorsese. A questão talvez não seja exatamente o posicionamento de quem faz o filme, mas como a obra absorve e lida com a religião e a fé. 

O brasileiro Fé para o impossível poderia ser um drama hospitalar eficiente, e assim o é, até se tornar proselitista. Os personagens centrais poderiam ser, como são, um casal de pastores evangélicos, não fosse a ideia do filme de vender a religião ou a fé como fonte de salvação. A partir da cena em que a febre de uma mulher em coma abaixa porque a enfermeira cantou um hino ao lado de sua cama, o longa desgoverna.

A mulher em coma é a estadunidense Renée Murdoch (Vanessa Giácomo), radicada no Rio de Janeiro com o marido, Philip Murdoch (Dan Stulbach), e os quatro filhos. Certa manhã, ela corria na orla de uma praia quando foi brutalmente atacada por um homem em situação de rua. Os golpes em sua cabeça a deixaram em estado grave, e os médicos lhe deram poucas horas de vida. 

Esse é um filme sobre fé e patrocinado pela fé para vender fé. Os esforços da neurologista (Juliana Alves) para salvar a vida de Renée só funcionam por conta da fé de pessoas, literalmente, ao redor do mundo orando por ela, graças aos vídeos que Philip fez no hospital pedindo que as pessoas rezassem por sua mulher. 

Dirigido por Ernani Nunes, que tem no currículo Gostosas, Lindas e Sexies, o filme é uma longa propaganda sobre religiões protestantes, fazendo mais um desserviço à ciência num país onde ela já é tão desacreditada. 

post