03/07/2026
Drama

Betânia

Betânia, uma veterana parteira da região dos Lençóis Maranhenses, enviúva e é pressionada pelas filhas a deixar sua casa. Mas ela resiste em sua procura de se reinventar, num ambiente que está sofrendo uma série de ameaças ecológicas.  Nas plataformas iTunes/Apple Tv, Google Play/YouTube Filmes (a partir de 19/6).

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Foi realizando uma série documental que o cineasta paulista Marcelo Botta descobriu a beleza e a riqueza cultural dos Lençóis Maranhenses, o cenário de seu longa de estreia Betânia, que teve sua première mundial na seção Panorama do Festival de Berlim em 2024. 

Uma personagem da série documental, a parteira e líder comunitária Maria dos Céus, foi também a inspiração para que Botta conhecesse diversas outras mulheres fortes da região, cujas entrevistas contribuíram na criação da protagonista de seu filme, Betânia (Diana Mattos), uma veterana parteira que enviúva e é pressionada pelas filhas a deixar sua casa, mas ela resiste em sua procura de se reinventar. 

Em entrevista ao Cineweb, pouco antes de Berlim, o diretor observou: “As famílias se unem ao redor destas mulheres, é uma sociedade bem matriarcal. Muitas vezes, naquela região e no Nordeste brasileiro como um todo, os pais estão ausentes, então estas avós representam uma segunda mãe”. 

As entrevistas fizeram parte de um processo de pré-produção do filme, que teve início em outubro de 2022, mas que acabou se estendendo, porque o diretor queria que o roteiro fosse escrito lá mesmo - o que lhe confere um caráter muito orgânico, já que se consolidou a partir de diversas contribuições dos moradores locais, muitos integrando também o elenco.

Com cerca de 60 momentos musicais, o filme extrai desse aspecto não apenas uma moldura, mas sim um recurso narrativo, que ajuda a contar a história daquela comunidade. Botta destaca a parceria com o músico maranhense Tião Carvalho - que atua no filme como o personagem Ribamar - , um pioneiro na introdução do bumba-meu-boi em São Paulo, que trouxe para o filme não só composições suas como de diversos outros artistas da região. Além disso, Botta inseriu músicas que ouviam lá durante as filmagens. 

Um outro aspecto nítido em Betânia é retratar com riqueza de detalhes um pedaço do Brasil que não é tão conhecido, inclusive fora do País. Botta reflete: “Quem é de fora do Brasil tem algumas imagens como o sertão, a floresta amazônica e as grandes cidades, como Rio e São Paulo, que são bastante retratadas. Pouca gente entende que existe um lugar assim, feito de dunas de areia, que não é tão longe da floresta amazônica e onde se toca reggae mix e bumba-meu-boi, que mistura as culturas africana e indígena. O Maranhão tem muita originalidade, uma cultura com muita personalidade e a gente fica muito feliz de mostrar essa potência dentro do filme”.

Entra pelo meio da história a questão ambiental, quando se menciona que correntes marítimas trazem lixo à região dos Lençóis, o que encontra um enfrentamento no trabalho de Ribamar (Tião Carvalho), um pescador que coleta esse lixo e eventualmente até tira um som de objetos que encontra, como as garrafas. Botta afirma que quis entrar nessa questão de uma forma sutil: “Betânia e outros povoados são lugares muito isolados, mas também refletem um problema que a gente vive na pele no mundo todo - a questão climática, o lixo. Através do personagem Ribamar, a gente consegue contar essa história de uma forma lúdica, sem pesar a mão na panfletagem. A denúncia ambiental eu achava que tinha que ser feita da forma mais poética possível para não afastar as pessoas com uma linguagem muito didática e panfletária”.

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