03/07/2026
Comédia Drama

Do Sul, a Vingança

Lauriano é um escritor de sucesso de true crimes. Em busca de um novo best-seller, seu editor sugere uma pesquisa no Mato Grosso do Sul, numa região fronteiriça, onde ele se depara com uma rede de corrupção e crimes.

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Alardeado como o primeiro longa totalmente produzido no Mato Grosso do Sul, Do Sul, A Vingança é um drama com toques tarantinescos, que tenta combinar humor com um faroeste caboclo numa terra de ninguém onde quem atira mais e melhor é a lei. É louvável que um estado sem tradição da produção cinegráfica tenha conseguido produzir um longa exibido no Festival Internacional em Cannes (não confundir com o Festival de Cannes) e no Los Angeles Film Awards 2025 (LAFA), no qual foi vencedor na categoria melhor longa independente. 

Dirigido por Fábio Flecha, o filme tem um tom que se aproxima de novela rural, com um excesso de personagens e música, numa trama rocambolesca entre passado (em preto e branco, com sangue em vermelho) e presente (colorido). O cenário é a fronteira Brasil, Paraguai e Bolívia, para onde vai Lauriano (Felipe Lourenço), um escritor de true crimes de sucesso que, pressionado por seu editor, precisa encontrar ali outro livro de sucesso.

A realidade é mais complexa do que aparenta. Um político, Victor Bautista (Leandro Faria), que passou uma temporada na Papuda e agora segue em prisão domiciliar, sugere ao escritor que procure um sujeito conhecido como Jacaré (Espedito Di Montebranco), uma figura mítica local, que pode lhe dar o material para um próximo livro.

O que se sucede, no roteiro assinado pelo diretor e Edson Pipoca, é um labirinto de pequenas tramas conectadas, que transitam entre um drama meio desconexo e um humor peculiar. É coisa demais para pouco cinema, com personagens mal-delineados e atuações ruins. 

Lauriano e o filme parecem não ter ideia de como funciona jornalismo investigativo – nem o mercado editorial. O mundo cão onde essa figura se move é marcado por chefões canastrões, um coach histriônico e violento, e dançarinas com armas em punho. As personagens femininas, aliás, são um dos grandes problemas. Todas são sexualizadas até ultrapassar um limite. Até a delegada (Luciana Kreutzer), supostamente séria, não perde a chance de sensualizar na conversa com o protagonista. 

O filme começa com uma animação didática explicando as origens do Mato Grosso do Sul, marcadas pela violência. Isso, no entanto, não tem qualquer função no filme, já que o tema do conflito histórico passa longe aqui, pois Do Sul, A Vingança está mais interessado em seus personagens, e não poderia ter uma escolha mais sem graça. Temas que poderiam trazer força ao longa, como agronegócio e mesmo disputas na região da fronteira, são ignorados. 

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