Caiam as rosas brancas! é uma espécie de irmã espiritual do longa Filhas do fogo, da mesma diretora, a argentina Albertina Carri, que reúne boa parte do elenco do filme anterior, desta vez, protagonizado por uma cineasta em crise que embarca numa viagem em busca de inspiração.
Carri, como já mostrou em outros filmes, como Raiva, tem um sentido estético bastante apurado, mas a narrativa nem sempre acompanha de forma orgânica. Aqui, o roteiro é assinado por ela, a atriz Carolina Alamino, protagonista do filme, e Agustín Godoy, e segue meio aos trancos e barrancos numa jornada simbólica entre o pessoal e o espacial, que começa em Buenos Aires e vem parar no Brasil, país coprodutor do filme, ao lado da Espanha.
Violeta (Alamino) é a cineasta amadora de filmes pornográficos em questão. Travada na criação de seu trabalho, ela acredita que cair na estrada lhe trará novos rumos – de forma literal e simbólica. Ela segue em companhia das atrizes/amantes Carmen (Rocío Zuviría), Agustina (Mijal Katzowicz) e Rosario (Maru Marcet), e no caminho encontram novas possíveis atrizes/amantes.
Tal qual o grupo, que não tem muita direção, segue o filme um tanto desgovernado, com um bem-vindo discurso libertário, mas que parece pregar apenas para as já convertidas. As mais de duras horas de duração parecem intermináveis para um público que não esteja exatamente interessado nas aventuras sáficas das personagens. A crítica ao patriarcado normativo e heterossexual se perde na ausência de uma dialética no filme – personagens masculinos inexistem aqui, o que faz parecer que as mulheres vivem num eterno idílio comunal.
O Brasil, ponto de parada, é representado pela presença da atriz transexual Renata Carvalho, e da produtora e distribuidora Silvia Cruz, sócia da Vitrine Filmes, que lança o filme no país. E, nessa reta final, aparecem, do nada, questões como ecohumanismo e decolonialismo – outros dois temas tocados de forma bem superficial no longa.
