Baseado num romance de Russell Banks - de quem o diretor Paul Schrader havia filmado outro livro em Temporada de Caça (1997) -, Oh, Canadá conta a história de Leonard Fife (Richard Gere), um norte-americano radicado no Canadá desde que decidiu fugir à convocação para a Guerra do Vietnã, tornando-se um respeitado documentarista e professor.
Num momento em que Fife está velho e bastante doente, dois de seus alunos convencem-no a dar uma longa entrevista, que será uma espécie de testamento para alguém que se tornou um símbolo de ativismo e resistência. Na entrevista, no entanto, Leonard assume uma atitude inesperada, despejando confissões pouco abonadoras sobre si mesmo e sua vida amorosa e pessoal - chocando sua mulher, Emma (Uma Thurman), também uma ex-aluna.
Num filme impregnado de arrependimento e morte, Jacob Elordi assume o papel do Leonard jovem, vivendo suas inúmeras aventuras sexuais, hesitações e abandono de mulheres e filhos. Desmonta-se, assim, a aura de herói de Leonard que o filme, a bem da verdade, nunca estabeleceu de fato - e talvez esta seja mesmo a ideia. Fife, afinal, torna-se um personagem amargo, com quem é difícil empatizar e cujos contornos, mais de uma vez, uma narrativa confusa dilui inapelavelmente.
Schrader, co-roteirista de Taxi Driver (1976) e diretor e roteirista de O Contador de Cartas (2021), tentou compor um réquiem para uma América que não existe mais, sem querer criar falsas ilusões sobre o que ficou para trás. Mas, de vários modos, o resultado é um tanto frustrante. Parece um filme datado, em forma e conteúdo.
