Ainda sem se recuperar do tropeço, na verdade, quase a queda de um penhasco, que foi Branca de Neve, a Disney volta a insistir no remake live action de clássicos, dessa vez, algo mais moderno, mas, ainda assim, desnecessário. Lilo & Stitch ganha vida e, em troca, perde seu frescor, num filme de visual genérico que se encaixaria melhor diretamente no Disney Channel do que na tela grande do cinema.
Dirigido por Dean Fleischer Camp, indicado ao Oscar de animação pelo ótimo Marcel, A Concha de Sapatos, Lilo & Stitch segue bem de perto a animação original de 2002, cujo sucesso foi o resultado de uma combinação de diversos elementos, desde os personagens até as técnicas, que uniam computação gráfica, desenhos à mão e aquarela. O visual óbvio aqui do Havaí com seus colares de flores, surfe e camisas floridas, não vale um aloha.
Talvez a única coisa que sai ganhando aqui é a criatura Stitch, cujo nome no seu planeta original era 626. Fruto de uma experiência de um cientista maluco, o animal de seis pares de patas é uma arma de grande poder de destruição, por isso deve ser exterminada. Ele consegue fugir e acaba parando na Terra. A Grande Conselheira de seu planeta resolve destruir a Terra, para acabar com Stitch, mas descobre que isso não é possível. Para capturar o animal, ela envia o seu criador, Jumba (Zach Galifianakis), e Pleakey (Billy Magnussen), um especialista em assuntos terráqueos que, aqui, assumem forma humana.
Lilo é interpretado pela graciosa Maia Kealoha, que vive no Havaí com a irmã, Nani (Sydney Agudong), que tenta criá-la depois da morte dos pais. Mas enfrenta problemas com a assistente social, a sra. Kekoa (a veterana atriz havaiana Tia Carrere), pois têm um estilo de vida errático. Lilo também é hostilizada na escola e não tem amigos, por isso se empolga quando encontra Stitch num abrigo de animais e o toma por um cachorro.
O que havia de beleza visual e humor no longa original, aqui segue uma cartilha de obviedades, que tenta alcançar o mesmo nível, mas não consegue. Alguns elementos mais inusitados, até mesmo progressistas, como Pleakey assumindo uma personalidade feminina (o que poderia fazer dela uma personagem transgênero), é deixado de lado, a favor de algo bem menos polêmico. Se a Disney claramente não quer se arriscar com essas adaptações live action, poderia começar optando por não as fazer. Nenhum até agora funcionou a contento, o que fica claro a cada novo filme.
