Confinado, a terceira versão da mesmíssima história – já contada no brasileiro A Jaula –, não apresenta nada de novo, não dribla as limitações e problemas dos anteriores e desperdiça dois competentes atores, Bill Skarsgård e Anthony Hopkins, agora sob a direção de David Yarovesky.
Eddie Barrish (Skarsgård) é um motorista que vive de pequenos trabalhos, que precisa de 500 dólares para consertar sua van, que está no mecânico. Além disso, também tenta se reconciliar com sua mulher, Amy (Gabrielle Walsh), com quem tem uma filha pequena, Sarah (Ashley Cartwright). Enquanto tenta conseguir o dinheiro para salvar sua van, encontra uma caríssima SUV estacionada, e, quando descobre que está aberta, entra no carro para ver se acha algum dinheiro ou algo de valor. Surpresa: o veículo é uma armadilha, que o prende em seu interior, impedido de abrir portas ou vidros, fechado claustrofobicamente num espaço à prova de som e com vidros escuros, o que impede que se veja dentro.
Na tentativa de sair, ele dá um tiro numa das janelas – o que não funciona, mas a bala ricocheteia e fere sua perna. Sangrando e desesperado, ele recebe uma chamada no interior do veículo. Trata-se do dono do carro, William (Hopkins). Ele revela que, cansado de ter seus carros roubados, criou um sistema de segurança que prende o ladrão em seu interior.
Depois de desmaiar, Eddie acorda e descobre que sua ferida foi limpa e foram feitos curativos. Percebe, também, que se tornou uma presa no jogo sádico de William. O ladrão, aqui, ganha ares mais simpáticos do que nas outras duas versões anteriores do filme. Ele é um bom sujeito que foi forçado, pelas circunstâncias, a realizar crimes. William, por sua vez, age de forma inumana. Nada justifica o seu comportamento extremo, a não ser um senso de sadismo presente em todos os longas que contam essa mesma história.
Há pouca discussão, apesar do filme ensaiar alguma, sobre diferenças sociais, empatia e trauma. Quando, eventualmente, flerta com algo mais complexo, o Confinado logo pula para outro momento de tortura física e psicológica para satisfazer um público que parece anestesiado e, boa parte, entusiasmado com a oportunidade de se fazer justiça com as próprias mãos.
