Derivada do mundo da franquia John Wick, a personagem Bailarina e o filme que leva o seu nome exalam obviedade. Desde o início com um globo de neve que toca música e tem uma pequena bailarina rodopiando ao clímax, nada parece muito original. Tudo soa derivativo e artificial.
Se o personagem John Wick (Keanu Reeves, numa participação especial) pendurou as armas no filme de 2023 (ou talvez não), sobra a uma nova personagem assumir a franquia, que tem dado muito dinheiro e, por isso, não pode morrer. A cubana Ana de Armas assume o papel da protagonista, uma personagem que demanda muito esforço físico e quase nenhum intelectual.
A trama se passa entre os acontecimentos de John Wick 3: Parabellum (2019) e John Wick 4: Baba Yaga. A personagem Bailarina apareceu no terceiro filme da série, no qual foi interpretado pela bailarina e atriz estadunidense Unity Phelan.
Aqui, conta-se a história que começa com a infância de Eve, que é o nome real da personagem, quando ela viu o pai ser morto por rivais, liderados por um sujeito conhecido como o Chanceler (Gabriel Byrne). A menina, que já tinha perdido a mãe e a irmã, é levada aos Ruska Roma, uma organização governada pela Diretora (Anjelica Huston), que irá transformar a menina, que sonhava em ser bailarina, numa matadora profissional.
O roteiro de Shay Hatten não tem muito a oferecer quanto à história da origem da personagem Bailarina: menina órfã adotada por uma organização criminosa que a torna uma poderosa assassina de aluguel. A trajetória da personagem também não tem muitas variantes, segue apenas a vingança pela morte do pai, com uma possível ajuda de John Wick.
Fugindo desse fiapo de trama, o que sobra, evidentemente, é a pancadaria e os tiroteios e de sempre, e nem nisso o diretor Len Wiseman (estreante na franquia) tem muito a dizer. Uma das cenas, por exemplo, se passa numa balada, onde paredes e chão são feitos de gelo, e a Bailarina usa um casaco pesado para se proteger. Nesse lugar, a protagonista dispara tiros e distribui pancadas e pontapés.
Antigos personagens estão de volta e, dessa vez, mais no piloto automático do que nunca, como é o caso de Winston Scott (Ian McShane), proprietário do Hotel Continental, com filiais espalhadas pelo mundo, que abriga assassinos de aluguel em missões, e Charon (Lance Reddick, que morreu antes da estreia do filme), concierge do hotel, que se torna amigo de Eve. Entre os novos, fora o Chanceler, também está outro assassino de aluguel, Daniel Pine (Norman Reedus), que tem uma filha pequena, o que sensibiliza Eve.
A produção do filme foi conturbada. Originalmente, era um filme independente, mas resolveram encaixá-lo no universo de John Wick, exigindo mudanças forçadas para que isso acontecesse. Diversas pessoas mexeram no roteiro – até a oscarizada Emerald Fennell -, mas o crédito é dado apenas a Hatten, autor da primeira versão do roteiro. Depois, a data de estreia foi adiada em um ano, e rumores dizem que muito foi refilmado por Chad Stahelski, diretor dos longas originais. Tudo isso reflete na tela com tramas e subtrama que nunca se encaixam direito. De qualquer forma, a possibilidade de Bailarina se tornar uma franquia depende do sucesso de bilheteria desse longa.
