18/07/2026

Johanne é uma adolescente de 17 anos, que mora com a mãe, separada, e mantém uma rotina básica de escola. Tímida, ela nunca namorou ninguém. Um dia, chega à escola a nova professora de francês, Johanna, e a garota se apaixona perdidamente. Mas a professora está ou não percebendo a situação? Na Reserva Imovision.

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Assinado pelo cineasta norueguês Dag Johan Haugerud, Dreams venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2025, concluindo em nota suave a trilogia composta por Sex e Love. Como os dois longas anteriores, concentra-se nas ligações amorosas, com personagens diferentes em cada um deles e, neste capítulo final, incorporando pessoas mais jovens.

A protagonista, Johanne (Ella Overbye), tem 17 anos e nenhuma experiência sentimental. Está numa fase da vida em que as fantasias ainda não enfrentaram o teste de realidade de um relacionamento concreto. E vive seu primeiro encantamento ao apaixonar-se pela nova professora de francês, Johanna (Selome Emnetu). 

A maior parte desta paixão passa-se dentro da própria cabeça da garota, que vê sinais de afinidade a começar pela semelhança dos nomes das duas. A professora, bonita e carismática, mostra-se sedutora para todos à sua volta, sem necessariamente dar-se conta do efeito particular que exerce sobre sua aluna. Ou não?

O filme explora essa ambiguidade sem empenho em decifrá-la, deixando a tarefa por conta da imaginação de seus espectadores, embora não se furte a enviar-lhes vários sinais. O que menos interessa é se Johanna percebe ou não o interesse de Johanne, ou se o estimula. Do que se fala aqui é como se podem construir essas sensações tão decisivas para a vida de cada um de nós, seja lá onde for que moremos. Apesar da peculiaridade de uma Noruega que, no filme, parece um país quase utópico, sem aparentes desigualdades sociais ou políticas extremas a desviar seus personagens da natural busca da felicidade. Nem o assédio das redes sociais parece um problema, nem mesmo para os personagens adolescentes neste contexto. 

Quase antiga sob este aspecto, Johanne anota num diário as emoções mais secretas sobre este episódio crucial de sua história sentimental. Será este diário também a maneira como sua mãe, Kristin (Ane Dahl Torp), descobre a razão da agitação excepcional que nota na filha, compartilhando sua preocupação com a avó da garota, Karin (Anne Marit Jacobsen), uma escritora feminista com quem Johanne parece ter mais afinidade emocional - e que é uma das personagens mais interessantes do filme, como representante de uma outra geração que experimentou liberdades diferentes e parece mais filosoficamente relaxada em relação a tudo.

Nestas três gerações de mulheres da família, o filme refina o contraste de experiências e expectativas, sem comprometer aquilo que é essencial para Johanne: encontrar seu próprio modo de lidar com as coisas, enfrentando seus enganos e decepções no confronto com o mundo adulto a que ela, em breve, deve pertencer. 

Há pouco espaço para os homens neste terceiro filme da trilogia, fixando-se em relacionamentos entre mulheres de diferentes idades de uma maneira fluida e natural. O que Dreams revisita, de alguma forma, é como nós todas e todos algum dia fomos parecidos com Johanne, embora habitando épocas diferentes.

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