18/07/2026
Romance

June e John

John é um sujeito certinho até demais, que trabalha há anos na contabilidade de uma empresa e é super-solitário. Um dia, ele vê no metrô uma jovem de cabelo rosa e fica fascinado. Os dois acabam se encontrando e vivendo uma enorme e perigosa aventura. No Prime Video.

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Toda época precisa dos seus romances e a ambição de cada um deles pode ser a de tornar-se marcante, emblemático. Difícil imaginar que isto aconteça a June e John, novo filme dirigido e roteirizado por Luc Besson e que, como na maior parte de sua obra, registra uma atração pelo grotesco e inusitado, como se viu em Nikita (1990), O Profissional (1994), O Quinto Elemento (1997) e no recente Dogman (2023).

Dito isso, porém, não falta uma certa dose de simpatia aos dois protagonistas, Matilda Price e Luke Stanton Eddy, revestidos da maior honestidade para entrar nos seus papeis, como duas pessoas inteiramente opostas, que improvavelmente se encontram por acaso e, mais improvavelmente ainda, se apaixonam loucamente, a ponto de protagonizar uma aventura de consequências imprevisíveis. Uma premissa que, a bem da verdade, tem lá os seus atrativos, ainda que nem tudo possa dar certo ao longo do caminho.

John é o tipo do cara certinho, trabalhando há anos no departamento de contabilidade de uma empresa, liderada por um chefe inacreditavelmente mesquinho e implicante. Com vida sentimental zerada, ele ainda sofre um verdadeiro assédio telefônico da mãe, que à distância procura controlar o filho, provavelmente único. 

Esta rotina solitária é transtornada quando John vê, pela janela do trem do metrô, a figura descolada de June, com seus olhos grandes e um inacreditável cabelo rosa. É o que basta para que ele a procure nas redes sociais e ela apareça, impulsivamente, em seu local de trabalho, desencadeando um incidente, envolvendo uma arma, malas de dinheiro e uma fuga pelas estradas.

Evidentemente, a trama criada por Besson apela para a fantasia e o romantismo em todos os detalhes, assim como para evocar a simpatia pelos outsiders que desafiam os limites impostos pela sociedade, eventualmente até pelas leis, em favor de viver intensamente o aqui e o agora. É para esse caminho que June arrasta John, aos poucos irresistivelmente capturado numa onda de experiências e sensações que ele nunca havia nem tentado antes. E de onde saiu esse pedaço sedutor de encrenca que virou de uma vez a vida dele de cabeça para baixo? Ninguém vai nem tentar explicar muito.

Há momentos curiosos e mesmo engraçados ao longo da fuga dos aventureiros, perseguidos pela polícia, encadeando-se uma série de situações para as quais se pedirá licença à imaginação e à tolerância do público quanto à lógica e à plausibilidade. O que Besson procura é um filme louco e romântico, em que muito pouco, a rigor, fica de pé, mas que a simpatia dos atores para encarnar seus personagens é para respeitar. Não sejamos tão impiedosos a ponto de, ao menos, deixarmos de simpatizar com isso. Por isso mesmo, o final acaba se tornando um tanto brusco demais. Mas humor não é mesmo a seara de Besson.

 

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