Eros, primeiro longa da produtora britânica radicada no Brasil Rachel Daisy Ellis, vale-se de um dispositivo já conhecido, usado num filme produzido por ela mesma, Domésticas, dirigido por Gabriel Mascaro. Aqui, pessoas comuns recebem uma câmera e a missão, que aceitaram, de filmar-se num quarto de motel.
Ao contrário do que muita gente possa imaginar, eles e elas não ficam fazendo sexo o tempo todo. Pelo contrário, a maior parte do tempo trata-se de um tipo de interação que beira a melancolia post coitum, em alguns casos. Em comum, quase todos os participantes se encantam com o cenário exótico do motel, ouvem música (muitas delas do final dos anos de 1980 e década de 1990) e se alimentam. É impressionante como praticamente todo mundo em cena faz refeições em algum momento.
O filme se constrói em sua montagem, e começa bastante bem com um casal heterossexual no qual a mulher, que é madura, diz não ter medo nem se envergonhar de sua sexualidade. As conversas entre ela e seu parceiro são interessantes, num viés que ela mesma assume como antropológico. Nem sempre, no entanto, o filme funciona bem como neste seu primeiro segmento.
Há, por exemplo, um trisal que começa com uma das mulheres fantasiada de freira sensual confessando-se ao homem, fantasiado de padre. Depois, os três vão para cama, e pronto. Esse trio não ocupa muito do filme, e parece estar ali apenas para mostrar que as pessoas têm fetiches inusitados. Nada de novo. A presença deles, no fundo, mais atrapalha do que ajuda. O filme tem mais de 100 minutos, e é longo para o que é, sendo que nem todo mundo ali desperta o mesmo interesse.
Uma edição mais ágil – o casal sadomasoquista todo tatuado dura mais do que deveria em tela, por exemplo – e com menos segmentos ajudaria o filme, que nem sempre consegue manter-se interessante. De qualquer forma, num país cada vez mais marcado pelo conservadorismo retrógrado, ouvir o que as pessoas falam num motel não deixa de ser, no mínimo, curioso.
