03/07/2026
Drama

A Odisseia de Enéias

Enéias é de uma família rica e pouco estruturada. Vivendo uma vida vazia, ele busca algo que o preencha, mas nada nem ninguém parece capaz disso.

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Pietro Castellitto, filho do grande ator e diretor italiano Sergio Castellitto, escreve, dirige e protagoniza o drama A Odisseia de Enéias, sobre um jovem rico e privilegiado levando uma vida vazia. Curiosamente, é também um filme vazio de conteúdo, e não que seja o caso da forma em sintonia com o que conta, mas, realmente, mostra-se um pastiche dos piores momentos do cinema de seu conterrâneo Paolo Sorrentino. 

Enéias tem pouco mais de 30 anos, é filho de um psicanalista, Celeste (Sergio Castellitto), e de uma apresentadora de televisão, Marina (Chiara Noschese). Rico, considerado bonito, leva uma vida desregrada, culpando os excessos da modernidade e a volatilidade dos relacionamentos. 

Com roteiro inspirado no poema clássico de Virgílio, Eneida, o filme é uma sucessão de momentos em busca de um sentido, tal qual seu personagem. O que ele faz da vida não fica claro, pois faz muitas coisas, mas, nada, aparentemente, com o devido empenho. Ele tem um melhor amigo, Valentino (Giorgio Quarzo Guarisco), rico e privilegiado como ele, que parece enfeitiçado pelo protagonista, seguindo-o como seu capacho. 

Enéias também tem uma namorada, Eva (Benedetta Porcaroli), com quem, obviamente, vive um relacionamento estranho, e um irmão caçula, Brenno (Cesare Castellitto, irmão de Pietro, filho de Sergio). São todos personagens jogados para escanteio, sem muita densidade ou importância, pois os holofotes do filme estão em Enéias. 

Todos se encontram em festas exageradas, com luzes de neon e drogas. Insinua-se que Enéias seja um traficante. Mas será mesmo? Tudo é nebuloso e pouco interessante nessa jornada autocentrada de um filme que dá mais palco para um personagem marcado pelo clichê e obviedade. Uma figura que já se viu em melhores filmes, e muito mais bem delineadas. 

Castellitto, o diretor, não está interessado em coesão e coerência, pelo contrário, o caos ao léu não esconde o quão raso é A Odisseia de Enéias, nem a ironia de tentar retratar de um nepobaby. E não há bem outra explicação, se não o sobrenome, para explicar a presença do longa na competição principal do Festival de Veneza de 2023. 

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