As intenções, obviamente, são nobres. Um filme sobre uma mulher que rompeu barreiras na sociedade altamente patriarcal do Afeganistão. Não apenas isso, ela também abriu portas para outras jovens poderem estudar e se tornarem mulheres independentes. Mas a execução de Quebrando Regras, assinada pelo estadunidense Bill Guttentag, é sofrível e, apesar de levar o selo de aprovação do Angel Studios, não é um filme cristão.
A protagonista é Roya Mahboob (Nikohl Boosheri), empresária afegã, dona de uma empresa de desenvolvimento de software na cidade de Herat. Na infância, ela teve negado acesso ao computador na escola, e não pode aprender sobre tecnologia. Nada disso a desanimou, pois, tempos depois, negociou o uso do equipamento com o dono de um café e, novamente sozinha, descobriu como usar. Tudo acontece muito rápido, sem muitas explicações.
O roteiro é assinado por Jason Brown, Guttentag e Elaha Mahboob (irmã de Roya), e acompanha de forma esquemática a trajetória de superação da protagonista e como ela ajuda outras garotas. A linha narrativa do filme é confusa, sem dar muito tempo para as coisas acontecerem. Logo depois de começar a usar o computador do café (em troca, ela ensina computação ao dono do estabelecimento), ela já abre sua empresa de software e decide criar uma escola de robótica para meninas.
Juntas irão enfrentar uma série de obstáculos, como a resistência dos pais das meninas e até a rejeição de um visto para os EUA, onde iriam participar de uma competição. Mas isso também é resolvido. De volta ao Afeganistão, sofrem retaliação do Talibã e novos problemas surgem até, claro, o inevitável triunfo final.
É uma história importante, e também é importante que seja contada, mas não precisava ser de forma superficial e sem qualquer brilho cinematográfico. No fundo, como se mostra na tela, é apenas um elogio à meritocracia de poucos indivíduos.
