03/07/2026
Drama

Filhos do Mangue

Numa comunidade ribeirinha, um homem é preso, acusado de roubar o dinheiro dos moradores. Sem memória, ele passa por um julgamento informal, e seu passado violento vem à tona.

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Eliane Caffé é uma cineasta interessada em questões eminentemente brasileiras e elementos sociais. Filmes como Os Narradores de Javé e Era O Hotel Cambridge deixam isso bem claro em sua construção formal e temática. Seu cinema começa no final dos anos de 1980 e, na década seguinte, ela foi um dos nomes de resistência quando a produção do país agonizava. Seu mais recente trabalho, Filhos do Mangue, encaixa-se na sua filmografia claramente, mas é um filme que parece não se encontrar, especialmente pela falta de foco. 

Pedro Chão (Felipe Camargo) foi aprisionado pelos vizinhos, acusado de um golpe. Ele está desmemoriado e não tem a menor noção do que está acontecendo. Segundo seus algozes, ele roubou um dinheiro que pertencia aos moradores daquela região ribeirinha. Assim, é submetido a um julgamento informal por essas pessoas. 

A partir dessas figuras, o filme se interessa em discutir a opressão do patriarcado, a ameaça às tradições de pequenas comunidades, entre outras coisas. Baseado no livro Capitão, de Sérgio Prado, o roteiro, assinado pela diretora e Luís Alberto Abreu, tenta abranger uma gama de temas e motivos maior do que o filme poderia dar conta. O resultado gira em falso em busca de onde ancorar para ser mais denso. 

Pedro está longe de ser um homem bom; batia na esposa, explorava mulheres para uma rede de prostituição internacional e maltratava os moradores daquele lugar. O personagem sem memória, no entanto, é uma figura em branco construída a partir dos relatos dos outros. Essa figura lacunar contamina o filme que, como ele, procura algo a que se escorar, vai de um lado para outro e entra no tema da sororidade sem muito se aprofundar nele.

Em Filhos do Mangue, as questões sociais não se encaixam de forma orgânica como em outros filmes da diretora. Elas se impõem, quebrando a narrativa, ficando perdidas, deixando como marca apenas as imagens bonitas - cortesia da natureza na Barra do Cunhaú (RN) e da fotografia de Pedro Rocha

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