03/07/2026
Drama

O Senhor das Formigas

Professor renomado e popular entre seus alunos, Aldo Braibanti é o centro da Torre, estabelecimento cultural na Emilia Romagna, nos anos 1960. Um dia, é acusado de aliciamento pelo pai de um de seus alunos, com quem Aldo tem uma ligação amorosa. A partir daí, sua vida é transtornada pelo recurso a uma obscura lei do período fascista. No Belas Artes à la Carte.

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Forte libelo contra a homofobia, O Senhor das Formigas revisita a história verídica do professor Aldo Braibanti (Luigi Lo Cascio) com direção do veterano diretor Gianni Amelio.

Verdadeiro homem do Renascimento, com uma curiosidade intelectual distribuída por várias áreas, o professor é um mirmecólogo (especializado em formigas) e filósofo, mas também interessado nas artes, reunindo em torno de si vários jovens em sua Torre, um centro cultural na Emilia Romagna, nos anos 1960. Era marxista, havia sido partigiano (membro da Resistência italiana antinazista) na II Guerra e era também homossexual - o que, na época, era alvo de muito preconceito, inclusive nos meios esquerdistas.

Por conta de seu envolvimento com um aluno, Ettore (o estreante Leonardo Maltese), Barbanti será alvo de um processo, baseado numa lei fascista nunca antes aplicada e que se referia a um hipotético crime de subjugamento moral - já que Benito Mussolini, como lembra o jornalista Ennio Scribani (Elio Germano), se não aprovou uma lei específica anti-homossexualidade, criou uma legislação, de todo modo, vaga o bastante para enquadrar qualquer um que se desviasse dos padrões estabelecidos.

Com um andamento clássico, o filme de Amelio - já vencedor de um Leão de Ouro em 1998 pelo drama Assim Eles Riam - aperta seus botões emocionais, delineando com clareza a figura altiva do professor, interpretado com brio pelo experiente Luigi Lo Cascio, traduzindo uma individualidade que não se verga às conveniências do momento e desafia um sistema judicial que tomou suas posições a priori contra ele, comprometendo toda a ideia de justiça.

O personagem de Ettore permite ao filme discutir igualmente outra aberração, a violência do sistema de tratamento psiquiátrico de então, que se valia da internação e do uso dos eletrochoques para tentar “curar” a homossexualidade, como se doença fosse.

Pela clareza e emotividade de sua linguagem, o filme de Amelio tem potencial para comunicar-se com grandes plateias, rompendo a bolha dos já convencidos da normalidade da homossexualidade e podendo chegar, quem sabe, àqueles que ainda alimentam preconceitos a respeito.

A figura do jornalista, interpretada com notável contenção pelo também veterano Elio Germano, é outra face iluminada deste filme, já que é através do personagem que se abre uma camada para discutir o papel do próprio jornalismo na difusão e manutenção de discriminação e intolerância. Não falta, igualmente, uma saudável crítica da própria esquerda, neste caso, ao Partido Comunista Italiano e ao jornal L’Unità, que na época não foram veementes o bastante na defesa de um dos seus.

 

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