O filme assinado por Marcos Carvalho e Diogo Fontes dedica-se a retratar, numa chave realista mas com um toque de realismo mágico a infância e juventude de Luiz Gonzaga (1912-1989), o mítico Rei do Baião.
Muito antes que ele se tornasse essa matriz essencial da música brasileira, Luiz nasceu em Exu, interior pernambucano, de uma família de lavradores. Quando menino interpretado pelo carismático Kayro Oliveira, o personagem enfrenta uma infância difícil, não só pela pobreza e a exploração de sua família pelos proprietários da terra, que impedem, por exemplo, que o menino possa estudar, como pela própria rigidez das relações familiares. Embora seu pai, Januário, fosse também um músico respeitado, convocado para animar as festas de sua região, o menino seguir suas pegadas não agradava à mãe, Santana. Mas o menino era tão bom que eventualmente podia até substituir o pai, como acontece numa situação em que ele é levado à casa do fazendeiro, patrão de Januário - em que ele não só é apresentado ao luxo e riqueza que faltavam em sua própria morada como também ao preconceito da família rica, inclusive das crianças.
Dos encontros dessa infância, em que ele percorre também as montanhas e a caatinga do seu sertão, é formado o caráter de Luiz. Num deles, ele é enviado para trabalhar levando gado, situação em que é submetido a violência pelo capataz - o que o leva a uma fuga em que encontra um cangaceiro (Luiz Carlos Vasconcelos), simbolizando Lampião e outros que, naquela época, enfrentavam à bala estes poderosos.
Na juventude interpretado por Wellington Lugo, Luiz se dedica cada vez mais à música, para desgosto da mãe, que sente que o filho logo partirá da casa familiar. Mas será por conta de ter-se interessado por uma garota de outro nível social que se desencadeia o turbilhão que o levará para longe do ninho familiar.
Não se espere deste filme a execução dos sucessos mais conhecidos de Luiz Gonzaga, como Asa Branca. Este é mais um filme que procura retratar o ambiente que produziu o artista, contando com três intérpretes que até se assemelham com o personagem real - na fase adulta, interpretado por Nivaldo Expedito de Carvalho, o Chambinho do Acordeon.
De todo modo, o conflito familiar esteve sempre nas origens tanto de Luiz Gonzaga como de sua relação com o filho, Gonzaguinha - retratada com tanto afeto e precisão em Gonzaga - de pai pra filho, de Breno Silveira (2012).
