Originalmente, o livro Bambi, do austro-húngaro Felix Salten, publicado originalmente em 1923, não era exatamente uma história infantil. Chegando a ser visto como propaganda em prol dos judeus, o livro foi queimado pelos nazistas alemães, mas idealização romântica da história protagonizada pelo cervo fofinho veio com a adaptação para o cinema produzida por Walt Disney.
O filme francês Bambi: Uma aventura na floresta não restaura a aura original do protagonista, mas segue na mesma linha que a versão mais famosa, agora com animais de verdade “interpretando” os personagens, enquanto a voz de Lhays Macêdo faz as vezes da narradora na versão brasileira.
Uma vez que os animais aqui não falam, tudo precisa ser verbalizado por essa narradora. E verbalizado é uma palavra central para o filme, pois não há um momento sem explicações sem intrusões dizendo o que os personagens pensam, sentem ou dando conselhos a eles. É uma espécie de paradoxo no filme de Michel Fessler, que confia tanto nas imagens, mas precisa dessa voz onipresente também.
Fessler usa estratagemas bem parecido com os de A Marcha dos Pinguins, do qual ele foi um dos roteiristas, filmando animais em seu habitat natural, e construindo o filme a partir de cenas que ele crê passam a impressão próxima daquilo que acontece na história naquele momento.
A história segue mais ou menos o caminho conhecido – embora alguns momentos, ainda bem, acontecem fora da tela, como a morte da mãe do protagonista – por isso é um filme mais para os nostálgicos do que crianças, que podem se entediar com o tempo contemplativo da narrativa.
