Dirigido por Marcelo Abreu Góis, o documentário Sede de Rio é de enorme potência imagética, sem deixar de lado seu material humano. A conjunção dos dois elementos faz deste um belo filme de forma particular, que conjuga algo de sensorial e, ao mesmo tempo, materialista-histórico em seu profundo interesse nas dinâmicas pessoais em torno do rio São Francisco.
Com um olhar curioso e carinhoso, Abreu Góis acompanha Nitercílio Ferreira Morais, conhecido como Seu Nir, o último capitão ribeirinho de grande embarcação daquele rio que, anualmente faz uma jornada espiritual a bordo da Rainha do Porto, para pagar uma promessa em honra aos mortos no rio.
Tendo esse ponto de partida, o documentário se abre para interesses sobre a população ribeirinha, sua relação com o seu entorno, simbiótica com a natureza, mas também de necessidade econômica e como isso passa ao longo dos anos, das gerações.
Uma das coisas que há de mais interesse é a sincera curiosidade do filme sobre essas pessoas, sobre como elas se relacionam com o rio, e, também, na beleza visual do local, sublinhada na fotografia do próprio diretor.
