01/09/2026
Terror Suspense

A Longa Marcha: Caminhe ou Morra

Depois de uma guerra civil que devastou os EUA, de tempos em tempos acontece uma competição na qual jovens andam por dias pelas estradas, buscando um enorme prêmio em dinheiro. Quem foge às regras, no entanto, é morto.

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Uma combinação de A Noite dos Desesperados (substituindo a dança por uma caminhada) e Jogos Vorazes (com o qual compartilha o diretor), A Longa Marcha: Caminhe ou Morra é um filme que tenta, forçadamente demais, conectar com o presente, em especial o dos EUA. Mas sua falta de senso e seu excesso de choques e escatologias transformam sua ambição em algo, no mínimo, reacionário. 

Dirigido por Francis Lawrence, com roteiro de JT Mollner (diretor e roteirista de Desconhecidos), o filme parte de um romance de Stephen King, publicado 1979, sob o pseudônimo de Richard Bachman. A história passa-se numa versão distópica dos EUA, onde, de tempos em tempos, jovens do gênero masculino se voluntariam para uma longa caminhada na qual quem não mantém a velocidade estipulada, sai da pista ou para, entre outras coisas, recebe uma advertência. Três delas significam a expulsão da competição – essa expulsão, no entanto, implica um tiro na nuca. O vencedor ganha uma fortuna incontável.

O primeiro personagem que vemos chegar no ponto de partida é Ray, interpretado por Cooper Hoffman, que, a cada filme, se mostra uma presença segura em tela, levando a crer que, no futuro, poderá chega ao mesmo patamar que seu pai, Philip Seymour Hoffman. Ele é levado por sua mãe (Judy Greer), que não se conforma com a escolha do filho. Depois de uma despedida emotiva, ele se aproxima dos colegas/concorrentes. Embora exista um bom número de rapazes, o filme irá se ater a uma meia-dúzia, destacando Peter (David Jonsson), de quem Ray logo se torna amigo. Ele são sempre acompanhados por militares liderados por um major (Mark Hamill).

Adaptar King não é uma tarefa simples, já que sua prosa é floreada e barroca, nem sempre se valendo de nuances. E Lawrence cai em todas as armadilhas, da sanguinolência excessiva para chocar aos discursos laudatórios sobre a importância do amor, companheirismo e família. Os personagens são configurados mais para despertar sentimentos no público do que figuras humanas e complexas. Como não sentir pena do rapaz que leva um tiro na cabeça por ter câimbras? Seus arcos dramáticos, que sempre culminam com um tiro, são inexistentes. 

Obviamente, o filme tenta pesadamente lidar com seu subtexto político, mas essa não é a seara de Lawrence. Os rapazes caminham por rodovias espalhadas pelo país que, vemos, foi destruído na guerra civil. A competição, como diz o major, serve como uma inspiração para o público, uma mostra de como os mais resistentes são vencedores. Ao revitalizar o discurso da meritocracia, o filme mais se alinha aos tempos presentes do que é a crítica que o diretor esperava fazer. 

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