18/07/2026

Diretora executiva de uma empresa química, Michelle é sequestrada por uma dupla de malucos que acreditam em toda e qualquer teoria da conspiração, Teddy e Don.  Eles querem convencê-la a levá-la com eles para o seu planeta e ela estuda como pode sair da situação. No Prime Video.

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Exibido em competição no Festival de Veneza 2025 e indicado a quatro Oscar, o novo filme de Yorgos Lanthimos reitera não só o estilo bizarro-sombrio do diretor grego, mas também repete a parceria com os atores Emma Stone e Jesse Plemons. Emma interpreta a super-executiva de uma empresa química, Michelle, que é sequestrada por uma dupla de malucos que acreditam em toda e qualquer teoria da conspiração, Teddy (Plemons) e Don (Aidan Dilbis). 

Ambos estão convencidos de que Michelle é uma extraterrestre, proveniente de Andrômeda, e pretendem forçá-la a levá-los com eles - e resolver também o grave problema de saúde da mãe de Teddy (Alicia Silverstone), decorrente de uma contaminação por produtos químicos, responsabilidade da empresa comandada por Michelle.

Toda essa trama de contaminação ambiental, que prejudica a sobrevivência das abelhas - Teddy também é apicultor - e a impiedade do ambiente empresarial são o lado realista de uma história que mergulha fundo na psicopatia, especialmente de Teddy - que Jesse Plemons vive com uma convicção assustadora e nada surpreendente para as qualidades deste ator imensamente versátil.

A captura de Michelle pelos dois na casa de Teddy permite ao filme enveredar por um clima de suspense macabro, que lembra eventualmente O Colecionador (1965), de William Wyler, embora a personagem feminina aqui seja muito mais astuta e forte do que a vivida por Samantha Eggar. Lanthimos é também um diretor muito mais explícito em certas situações de violência, embora não lhe escape nunca um toque de humor - na sequência final, particularmente.

De todo modo, Bugonia é um filme bem mais consistente do que o último do diretor, Tipos de Gentileza (2024), até por centrar toda a sua energia numa trama única e não dispersá-la em três histórias mal-interligadas, como ocorria naquele filme do ano passado. A psicose dos personagens de Teddy e Don, assim como o risco de desastre ambiental no planeta, fazem todo o sentido diante da realidade que vivemos. A mensagem poderia ser: “Chamem os alienígenas!” Mas não reclamem depois da solução que eles resolverem dar.

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