Ingrid Guimarães, como já está mais do que provado, é uma grande atriz de comédia – e de dramas também, como já mostrou. Por isso, é decepcionante que ela se envolva em algo tão tolo e óbvio como Perrengue Fashion, que não tem a picardia de um, digamos, Minha Irmã E Eu, seu sucesso de 2023. Aqui, seu talento é desperdiçado numa personagem caricata, sem alma e marcada por clichês.
Ela é Paula uma mulher de classe média que sonha em ser um influencer de moda reconhecida e rica. A oportunidade surge quando é procurada por uma marca cara que a quer para protagonizar uma campanha de Dia das Mães, num ensaio que faria ao lado de seu filho, Cadu (Filipe Bragança), que estuda nos EUA e é avesso à redes sociais.
O filme dirigido por Flávia Lacerda percorre os caminhos de uma sitcom, sem muita preocupação com linguagem cinematográfica ou construção de cenas. Os personagens seguem aquela espécie de padrão Multishow que tomou conta das comédias do cinema brasileiro sempre exagerando, pois isso pode parecer engraçado (nem é). Esse é, em especial, o caso de Taylor (Rafa Chalub), assistente de Paula.
Depois de uma série de desencontros, a protagonista descobre que o filho mora numa comunidade isolada no Amazonas, onde vive de comida orgânica e em comunhão com a natureza. Paula e seu assistente vão até lá, para tentar convencer Cadu vir a São Paulo participar da campanha que faria sua mãe famosa.
O olhar que Perrengue Fashion tem sobre o Amazonas, seus povos ribeirinhos e pessoas veganas cruza a linha do clichê, e beira o ofensivo. É a Amazônia para gringo ver em seu exotismo contaminado de caricatura. Segundo o filme, por mais talentosos que os moradores do Amazonas possam ser, fazendo artesanato e afins, precisam de alguém do sudeste para os organizar e construir casas.
A beleza local também tem um papel de destaque entre os clichês desse filme que insiste em (aparentemente) defender uma comunidade autossusentável, mas, no fundo, celebra o consumo desenfreado – em especial de marcas caríssimas.
