Nesta produção para a Netflix que foi exibida em competição no Festival de Veneza, a premiada diretora norte-americana Kathryn Bigelow retrata a iminência de uma tragédia nuclear nos EUA. Os sistemas de defesa do país detetam o disparo de um artefato nuclear que se dirige ao território norte-americano e que deve atingir uma grande cidade, Chicago, causando milhões de vítimas.
As movimentações de diversos setores, de autoridades militares a diversos departamentos da Casa Branca, são retratadas com a habitual energia pela diretora vencedora do Oscar em 2010 por Guerra ao Terror. Um elenco qualificado, integrado por Rebecca Ferguson, Idris Elba, Jason Clarke, Tracy Letts e Greta Lee, é ponto alto.
Mas, por outro lado, uma história em que os EUA possam ser vítimas de um ataque descrito como não-provocado, não se sabe se da parte da Rússia, Coréia do Norte ou dos habituais suspeitos da ideologia norte-americana (China, Irã e Paquistão são mencionados) parece muito incongruente num contexto mundial em que o belicoso Donald Trump é o presidente e o país é parte ativa nos maiores conflitos mundiais - Ucrânia e Gaza sendo os exemplos mais dramáticos disso. Ou seja, falta um maior estofo geopolítico ao roteiro, assinado por Noah Oppenheim.
Casa de Dinamite parece querer reencontrar uma época, como ocorreu durante a parte final da II Guerra Mundial, em que os EUA pudessem ainda entrar na pele de heróis do mundo. Por isso, toda a chave da narrativa soa um bocado falsa. Nesse contexto, não há nem mesmo como aproveitar melhor o fato do magnético ator Idris Alba interpretar o presidente norte-americano já que o enredo sequer tem a coragem de ser mais assertivo nos seus rumos. O filme contenta-se em mergulhar nesse frenesi dos bastidores de vários escalões do poder público, humanizando os funcionários civis e militares que tentam lidar com esse potencial fim dos EUA e provocar nossa empatia. Mas a premissa toda é tão inconsistente que nem isso consegue.
