Conselhos de um Serial Killer Aposentado começa à la Clube da Luta, e continua sem muita criatividade, apesar da premissa intrigante. O filme é escrito e dirigido pelo turco Tolga Karaçelik, que faz sua estreia no cinema estadunidense com essa comédia que pouco aproveita seu bom elenco e melhores ideias.
John Magaro, que já deu diversas provas de seu talento, é esforçado num papel um tanto ingrato: Keane, um escritor passivo e incapaz de perceber que seu casamento com Suzie (Britt Lower) terminou. Ela insiste num divórcio e ele se faz de desentendido, até que percebemos que o problema é mesmo ele, e não ela.
Nesse imbróglio, entra em cena Kollmick (Steve Buscemi), um serial killer aposentado, que é fã dos livros de Keane e sugere que o autor escreva sobre, bem, um serial killer. O escritor, que está há 4 anos sem publicar nada, cogita a ideia, pois teria o próprio assassino como tutor – embora ele, Keane, não saiba nada dessa profissão do outro. Uma noite, ele leva o novo amigo até sua casa, e mente que Kollmick é um conselheiro matrimonial, e Suzie acredita.
Não demora muito, o longa abre mão desse subplot e vai perdendo um tanto a graça, pois não sabe bem para onde ir. O que começa com certa personalidade se transforma no óbvio, e incapaz de gerar humor – um problemão para uma comédia. Até o potencial da dupla Keane/ Kollmick é desperdiçado, enquanto Suzie começa a desconfiar de que seu marido está fazendo algo errado.
Sem muita inspiração, Conselhos de um Serial Killer Aposentado poderia facilmente ir direto para um serviço de streaming qualquer e encontraria seu nicho. No cinema, seus problemas visuais e narrativos tornam-se ainda mais gritantes – especialmente se comparado com o ótimo Assassino Por Acaso, com o qual tem pontos em comum.
