O M-19 surgiu na Colômbia em 1970, depois das eleições que deram vitória ao conservador Misael Pastrana Borrero. Um grupo de jovens de classe média desiludidos com a esquerda tradicional fundou essa guerrilha urbana para estabelecer o que consideravam uma real democracia no país. Em 6 de novembro de 1985, eles tomaram o Palácio da Justiça, na capital do país, fazendo juízes e advogados de reféns.
Escrito e dirigido pelo estreante Tomás Corredor, o enredo, de forma claustrofóbica, se fecha no banheiro do Palácio onde aconteceram as 27 horas desse cativeiro. De forma um tanto nebulosa, o filme investiga esse trauma histórico em zonas acinzentadas.
A fragmentação da memória truncada do episódio não facilita quem não conhece bem os fatos históricos. Embaralhar realidade, ficção e alucinação é uma opção do cineasta, que se mostra mais voltado à construção sensorial do que narrativa. Interessado nos pequenos dramas pessoais sufocantes no banheiro, o filme se fecha em closes de rostos e aflições.
Corredor não está interessado em dicotomias simples – não há heróis nem vilões. O que há são pessoas presas às engrenagens da história do passado que ecoam no presente. A sua escolha formal é fazer um filme claustrofóbico e coberto por uma nuvem – tal qual a história de muitos países da América Latina.
