Aos 74 anos, Michael Keaton já foi Batman, Birdman, Beetlejuice. Agora, ele parte para apenas tentar tornar-se um bom pai em Pai do Ano, segundo longa da diretora Hallie Meyers-Shyer.
Dono de uma antiga e respeitada galeria de arte, Andy Goodrich (Keaton) recebe como um choque o telefonema da segunda mulher, Naomi (Laura Benanti) de que está se internando numa clínica de reabilitação por três meses. Afundado em seu trabalho e, porque não admitir, egoísmo, ele deixou de notar o quanto ela estava afundando no vício em remédios e bebidas. Agora, ela resolveu dar um tempo para si mesma. O desafio é que Andy vai ter que, pela primeira vez na vida, cuidar sozinho dos filhos, os gêmeos de 9 anos Billie (Vivien Lyra Blair) e Mose (Jacob Kopera).
Para quem nunca mexeu uma palha dentro da casa confortável, descobrir como manejar a rotina de duas crianças, sua alimentação, idas à escola e outras atividades, tudo é um susto e uma encrenca. Ele rapidamente percebe que precisa de ajuda e não vai ser somente a babá ocasional, Tali (Noa Fisher), que vai dar conta.
Agora, é a grande chance de Andy reconectar-se de fato com a filha mais velha, de seu primeiro casamento, Grace (Mila Kunis), que tem 36 anos e está grávida do primeiro filho. Ele pede socorro a ela para lidar com os desafios do cuidado dos filhos menores, também pelo detalhe de que, neste momento, sua pequena galeria enfrenta sérias dificuldades de sobrevivência.
O relacionamento de Andy e Grace ocupa o centro do filme, que trafega entre a comédia e o drama de maneira bastante honesta. Não se doura a pílula ao delinear o perfil deste pai desatento com a primeira filha, como ela terá oportunidade de lembrá-lo, e que estava no mesmo caminho com os menores, décadas depois. É o próprio modelo de homem que Andy aprendeu a ser que desmonta, ao mesmo tempo que sua vida profissional entra num desvio.
Apesar de tudo, há uma afinidade bastante boa entre Keaton e Kunis como pai e filha, que contorna alguns clichês ao longo do caminho. Quando o filme encontra o humor, proporciona os melhores momentos, como com as tiradas da espertinha filha Billie ou alguns micos que Andy precisa pagar em busca de uma promissora nova cliente, o que o coloca como único frequentador masculino de um show feminista.
A necessidade sentida pela diretora-roteirista de fechar muitas lacunas e proporcionar alguma espécie de revide por parte de Grace pesa em algumas cenas, como uma, perto do final, na porta do consultório médico. Guardou-se muita coisa para esta cena e o texto enunciado pela atriz acabou ficando grande demais. Há momentos em que Keaton também fala demais.
No geral, no entanto, é um filme agradável de ver e que não se esforça para resolver tudo da maneira mais açucarada possível - o que é um feito e tanto dentro da média deste tipo de filmes em Hollywood.
