Lar não poderia ser um título mais apropriado para o documentário de Leandro Wenceslau. A ideia que a palavra passa de acolhimento e segurança é exatamente o que permeia o longa que tem, ao centro, famílias LGBTIAPN+ observadas pelo olhar de seus filhos e filhas.
Uma dessas famílias é a do próprio cineasta que, com seu companheiro, pensava em adotar uma criança em 2015. Cheio de dúvidas, ele conversa com duas professoras que haviam passado por essa trajetória. Desse momento nasce o filme, que investiga de forma delicada e sagaz as novas constituições familiares e, também, as dinâmicas dentro e fora de casa para esses arranjos, que se tornaram mais comuns nos últimos anos.
Como o filme coloca a câmera perto das crianças e adolescentes, permite que façamos descobertas por um prisma pouco explorado, mas mostrando que pais, mães, filhos e filhas partilham em comum não só inseguranças e incertezas, mas também o desejo da união e compreensão. A jornada, como é mostrado, não é simples, seja nas necessidades burocráticas da adoção, ou na convivência, aceitação e compreensão uns dos outros. Mas existe esse desejo pulsando muito forte em ambos os lados.
Ao trazer, também, sua história, com altos e baixos, Wenceslau torna o filme algo confessional, mas sem o tornar sobre si mesmo. Pelo contrário, as histórias de outras mães e pais são tão importantes aqui quanto a dele, mostrando como ainda é necessário trilhar o caminho rompendo preconceitos, muitas vezes disfarçados de boa vontade. Enfim, é um filme sobre e para o nosso tempo.
