02/07/2026
Drama

A Quem Eu Pertenço

Aicha e Brahim vivem numa aldeia, na companhia dos três filhos, os gêmeos Mehdi e Amine e o caçula Adam. Um dia, quando o casal vai a um casamento, Mehdi e Amine desaparecem. Depois se sabe que foram integrar o ISIS. Os pais ficam aflitos, mas nada podem fazer, senão prosseguir em sua rotina e mentir que os dois foram procurar trabalho na Itália. Até o dia em que Mehdi reaparece, trazendo consigo uma mulher grávida, Reem.

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Digno representante de um cada vez mais significativo cinema tunisiano, A Quem Eu Pertenço, da diretora e roteirista Meryam Joobeur, teve sua première mundial na competição de Berlim 2024, mostrando densidade para retratar o drama de uma família de camponeses cujos filhos mais velhos, dois gêmeos, Mehdi (Malek Mechergui) e Amine (Chaker Mechergui), desaparecem da aldeia para integrar o ISIS, para desespero da mãe, Aicha (a excelente Salha Nasraoui) e do marido, Brahim (Mohamed Hassine Grayaa). 

Incapazes de dizer ao filho caçula, Adam (Rayen Mechergui), o que se passou com seus irmãos, Aicha lhe diz que partiram para a Itália, em busca de emprego - uma versão que convém assumir também perante a aldeia, para não levantar suspeitas do policial Bilal (Adam Bessa), que se torna uma espécie de mentor e irmão substituto para o pequeno Adam.

A vida da família prossegue inalterada, até o dia em que Mehdi volta, trazendo consigo Reem (Dea Liane), que ele diz ser sua mulher e está em adiantado estado de gravidez. Diante do risco de prisão por seu envolvimento com o ISIS, o casal vive escondido, acrescentando novas angústias ao cotidiano dos pais. 

Um bom recurso é quando, em vários momentos, abandona-se o realismo estrito, o que soma camadas a uma obra muito respeitável, sobre um tema candente, e que é o primeiro longa da diretora.

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