Pouco mais de um ano depois de Silvio, em que o apresentador, falecido pouco antes da estreia, era interpretado por Rodrigo Faro, chega um novo filme sobre essa figura lendária da televisão brasileira, Silvio Santos Vem Aí, agora protagonizado por Leandro Hassum. Apesar do orçamento visivelmente maior do que o longa anterior, este comete basicamente os mesmos erros, o de transformar o personagem numa caricatura da figura real sem nunca conseguir encontrar uma dimensão humana.
Hassum, conhecido por seus trabalhos na comédia, encarna o Silvio Santos conhecido da televisão, com seus trejeitos, sua fala empostada e suas piadas de sempre. O roteiro de Paulo Cursino usa como pretexto o lançamento da candidatura do apresentador a presidente em 1989, mesmo ano em que Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva dominavam as pesquisas. A poucos dias do primeiro turno, o apresentador resolve se candidatar, substituindo Marcondes Gadelha, pelo PMB, Partido Municipalista Brasileiro.
Com a necessidade de fazer uma campanha às pressas, o marqueteiro chefe (Marcelo Laham) delega a uma jovem da equipe, Marilia (Manu Gavassi), acompanhar o candidato o tempo todo, para melhor conhecê-lo e assim poderem fazer a campanha, preparando uma estratégia contra os possíveis ataques dos concorrentes, uma vez que Silvio mostrava reais chances de ser eleito.
Esse ponto de partida daria ao filme a chance de explorar o que há de mais humano por trás do “homem do Baú”, mas não há muito interesse aqui a não ser ressaltar tudo o que já se sabe, envernizando a figura com toque de quase santo – não há pecados na vida do Silvio do filme, sempre apresentado como muito idôneo e correto.
Essa hagiografia, sob a direção de Cris D’Amato, segue sem muita inspiração, num filme com mais cara de televisão do que de cinema. Aparecem as figuras esperadas que cercam Silvio, de sua mulher, Iris Abravanel (Regiane Alves), ao ajudante de palco Roque (Guilherme Dourado) e o locutor Lombardi, cujo anonimato é a sacada mais esperta do filme.
Entre tantas coisas mal resolvidas dramaturgicamente no filme – de como a vida do apresentador se materializa em seus programas ou o entra e sai de gente famosa –, o mais estranho é a ausência da famosa música de onde o longa tira seu título. Como os direitos de uso eram muito caros, a saída foi criar uma versão alternativa, com uma melodia parecida e outra letra. O resultado é praticamente um desafio do Qual é a Música?
