18/07/2026
Fantasia Musical

Wicked: Parte II

Depois dos acontecimentos do primeiro filme, a amizade entre as aprendizes de bruxa Glinda e Elphaba é abalada. Novos eventos em Oz as colocam em lados distintos em relação aos golpes do famoso mágico local. Nos cinemas.

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Como diz Brecht, “a história é contada pelo ponto de vista dos vencedores”. No caso de O Mágico de Oz, pelo personagem título e a Bruxa Boa do Norte, Glinda. O romance Wicked, de Gregory Maguire, faz o revisionismo dessa história, dando voz àquela que ficou conhecida como a Bruxa Má do Oeste, Elphaba. Tida como vilã, ela é, na verdade, a bruxa mais idônea, que se recusa a compactuar com as falcatruas do Mágico de Oz.

Wicked, o famoso musical, parte do romance mas não se interessa tanto pelo revisionismo ou pelas questões mais densas do original de Maguire. A ideia é tomar esse mundo de Oz por outro lado e fazer dele, novamente, uma festa de música e cores, tal qual o clássico de 1939. No cinema, Wicked, dirigido por Jon M. Chu, foi desnecessariamente dividido em duas partes resultando em quase 5 horas de filme no total.

Wicked: Parte 2 não é melhor do que o longa anterior, mas talvez tropece em algumas coisas. O desenvolvimento dos personagens secundários é o maior dos problemas aqui. Enquanto Glinda (Ariana Grande) e Elphaba (Cynthia Erivo) seguem as trajetórias mais ou menos anunciadas no filme anterior, os coadjuvantes caminham aos trancos e barrancos.

O aparecimento fugaz de Dorothy carrega novos personagens, o famoso trio composto pelo Espantalho, o Leão e o Homem de Lata – todos em busca do Mágico de Oz (Jeff Goldblum). São figuras que entram na narrativa de forma abrupta, sendo suas origens mostradas de forma bastante rápida e confusa.

O filme, roteirizado por Winnie Holzman e Dana Fox, resolve uma das principais reclamações do musical original: a falta de coesão e um bom número musical no segundo ato, que, no palco, dura menos de uma hora, e no cinema, 2h18. O longa começa com a construção da famosa estrada dos tijolos amarelos. Elphaba se opõe ao uso de animais no trabalho, mas, graças à Madame Morrible (Michelle Yeoh), toda a Oz voltou-se contra a bruxa verde. 

A personagem que passa por uma transformação mais complexa aqui é Glinda – como já foram dados sinais disso no primeiro filme –, e Grande assume isso com leveza e sagacidade. A Bruxa Boa do Norte explora novas emoções e enfrenta outros desafios, especialmente quando Fiyero (Jonathan Bailey) prefere Elphaba a ela. Já a Bruxa Má do Oeste continua em sua saga ao ser encarada como má. Ela não é, naturalmente, malvada, mas a sociedade a trata assim e, como resposta, ela assume esse lado. E, nesse sentido, todo a ideia de Wicked é exatamente jogar uma nova luz nessa personagem. 

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