18/07/2026
Comédia

Homo Argentum

Em 16 histórias, destila-se o veneno do humor argentino, com segmentos que exploram as fraquezas do ser humano.

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Apoiado no marketing de ter atraído 1,7 milhão de espectadores aos cinemas da Argentina, Homo Argentum aposta num humor ácido e autorreferente, em que a experiente dupla de diretores Mariano Cohn e Gastón Duprat volta para os argentinos um espelho um bocado impiedoso.

Conhecidos por filmes como O Cidadão Ilustre e O Homem ao Lado, Cohn e Duprat distribuem em 16 histórias - algumas, curtíssimas - um verdadeiro tratado das fraquezas argentinas, encarnadas em diversos personagens de diferentes classes sociais, interpretados pelo veterano ator Guillermo Francella.

Desde a primeira história, Aqui não Aconteceu Nada, à última, Doce Demais, os diretores percorrem um verdadeiro catálogo de fraquezas humanas, começando pela indiferença a uma morte provocada por acidente e terminando na aplicação de um golpe entre parentes. Mas, ao longo do caminho, se abordará também a covardia com a presença de assaltantes em casa ameaçando a própria mulher, a saudade de um filho madurão finalmente mandado para sua própria casa e uma aventura ocasional entre um segurança madurão e uma jovem tão atraente quanto maluca. Numa das histórias, será um casal paulista o alvo de um solícito cambista de rua que, finalmente, dá a descrição dos turistas por celular a um parceiro assaltante nas proximidades.

Humor, como se sabe, é um viajante caprichoso e este tipo de ironia ácida poderá agradar bem menos aos brasileiros do que agradou aos argentinos. Mesmo na Argentina, não faltaram críticas ao filme de que este tipo de humor tão ferino seria bem mais portenho do que propriamente nacional.

Formalmente, como todo filme de episódios, Homo Argentum deixa passar algumas irregularidades, já que alguns segmentos são bem mais consistentes do que outros - alguns, são curtos demais até para captar a piada. 

Outras polêmicas cercaram o filme por conta do posicionamento de seus diretores e do protagonista, apoiando a retirada de financiamento estatal ao cinema promovida pelo novo presidente de extrema-direita, Javier Milei. Cohn e Duprat chegaram a dizer que esta retirada poderia ser “benéfica” ao cinema, uma postura em franco choque com a maioria dos artistas argentinos, inconformados com uma reestruturação que ameaça eliminar o fomento à produção cinematográfica promovido através do INCAA (Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales). Homo Argentum, aliás, foi patrocinado pela Disney.

O próprio Milei não deixou de celebrar o sucesso popular do filme, não só por ter sido feito sem financiamento estatal mas também por constituir o que ele considera uma arma eficiente em sua “batalha cultural contra a agenda woke”. O presidente argentino inclusive mostrou o filme a alguns ministros e deputados, incorporando-o em sua permanente guerra cultural.

 

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