Em Depois da Vida, filme de 2003 do diretor japonês Hirokazu Kore-eda, as pessoas que morriam tinham três dias para escolher a lembrança mais feliz de suas vidas que, por toda a eternidade, ocuparia a totalidade de suas memórias.
Em Eternidade, o diretor David Freyne imagina também uma situação post-mortem em que as pessoas podem escolher os ambientes em que pretendem passar o resto de seus infinitos dias. Uma situação que, a princípio, parece uma espécie de venda de pacotes turísticos, já que os recém-chegados são recebidos por Consultores do Além que os cumulam com seus prospectos. Mas há, também, um prazo para escolha.
O velho casal formado por Joan (Betty Buckley) e Larry (Barry Primus) sabia que em breve teriam que pensar na morte, devido à doença mortal que acometia Joan. Mas, por um acidente do destino, é Larry quem acaba partindo primeiro e sendo apresentado a esse inusitado universo do além.
Uma boa novidade é que lá ele não é mais velho - e é informado de que ali as pessoas assumem a idade da época em que foram mais felizes. No caso de Larry (agora, Miles Teller), ele é um jovem de cerca de 30 anos, sem mais achaques nem dores nos joelhos e nas costas. A tragédia é que ficou sem a sua querida Joan, sua mulher por décadas, mãe de seus filhos e sua companheira inseparável.
O desespero de Larry é tentar escolher o ambiente que ele pensa que Joan poderá escolher quando chegar. Ele imagina que seja uma praia quentinha, mas protela ao máximo a sua decisão. Até que um dia, quando ele já se encaminhava para esta opção, ele vê Joan chegando, também em sua versão jovem (agora, Elizabeth Olsen).
Tudo poderia terminar por aí não fosse o fato de Joan ter tido um primeiro marido, Luke (Callum Turner), que morreu jovem, na II Guerra. E, desde então, ele a está esperando ali, trabalhando como barista na zona de transição onde chegam novatos todos os dias.
Aí se produz uma inusitada situação: com quem Joan pretende passar toda a eternidade, com seu marido da vida inteira ou com aquele primeiro marido com quem ela não teve tempo de solidificar uma relação? Amparado nesta premissa, o roteiro, também assinado por Freyne e Patrick Cunnane, cria várias situações engraçadas, dramáticas e românticas em torno dessa escolha, que terá que ser definitiva. No além, não existe possibilidade de voltar atrás. Ou será que existe?
O elemento do humor entra firme através das intervenções dos Consultores do casal, Anna (Da’vine Randolph) e Ryan (John Early), que desequilibram um bocado a rigidez das regras deste mundinho pós-morte tão burocrático. Ainda bem. O eixo principal, no entanto, está mesmo na aposta romântica: com quem é que Joan vai ficar mesmo? E assim o filme se transforma numa atração divertida para o final de ano, ainda que nem um pouco comparável com o sublime Depois da Vida.
