18/07/2026
Terror

Natal Sangrento

Quando criança, Billy presenciou os pais serem assassinados friamente por um homem vestido de Papai Noel. Agora adulto, na época do Natal, ele comete crimes seguindo as ordens de uma voz misteriosa em sua cabeça.

post-ex_7

Mais do que um remake ou reboot do filme original de 1987, o novo Natal Sangrento é uma combinação de homenagem e re-imaginação filtrada para as sensibilidades, guerras culturais e tensões políticas do presente. Sob a direção de Mike P. Nelson, o Papai Noel assassino tem um propósito e uma voz que fala em sua mente à la Venon, cujas origens misteriosas serão explicadas em certo momento. 

O primeiro Natal Sangrento estabeleceu uma espécie de subgênero no slasher, o Santa Exploitation, e gerou uma quantidade de filmes com o Bom Velhinho, geralmente, portando um machado e atacando pessoas. O longa inclusive ganhou outras quatro sequências, sendo que as duas últimas não têm absolutamente nada a ver com a franquia, só levam o mesmo nome. Assim, o filme de 2025 está mais próximo da ideia do que no que a própria série degringolou

Ao mesmo tempo que Nelson, que também assina o roteiro, inventa algumas coisas, ele se mantém próximo à ideia original. Quando criança, Billy Chapman (Rohan Campbell) viu os pais serem assassinados por um homem vestido de Papai Noel numa rodovia. Cresceu, depois disso, em lares adotivos, e, quando virou adulto, durante o Advento, veste-se de Papai Noel e vaga anonimamente por pequenas cidades, matando homens e mulheres. 

Não há o orfanato dirigido por freiras ou o irmão caçula, no filme original, mas a voz que guia Billy em sua carnificina natalina de todos os anos. E, após cada morte, ele faz uma marca com o sangue da vítima num calendário já surrado de tantas marcas. Numa pequena cidadezinha, ele se interessa por uma jovem, Pamela (Ruby Modine), e descobre que ela trabalha numa loja de enfeites natalinos do pai dela.

O fato de Nelson mirar na sátira do que no puro terror não torna o filme menos sanguinolento, pelo contrário, o sangue jorra sem sentimento de culpa – especialmente quando Billy invade uma festa de Natal muito peculiar. A cena é particularmente catártica, pois se pergunta quem são realmente os vilões.

Se no final da década de 1980, era – ao menos na superfície – bastante claro quem eram os heróis e quem os vilões, hoje os vilões se escondem sob véus ideológicos. A graça de Natal Sangrento está, especialmente, em levantar esses véus sem piedade e descer o machado. 

post