Integrante de uma talentosa geração de cineastas chilenos, ao lado de Pablo Larraín, Sebastián Lelio e outros, Matías Bize chega a seu oitavo longa, O Castigo, consolidando um estilo ao mesmo tempo intenso e minimalista.
Como de hábito em sua obra, onde se incluem Na Cama e A Vida dos Peixes, o cenário é limitado - no caso, a beira de uma estrada, cercada por um bosque, onde um casal, dentro de um automóvel, está iniciando uma verdadeira autópsia emocional de um casamento, de uma família e, mais ainda, de uma condição feminina em que a maternidade entra como elemento obrigatório e definidor. Este, o ponto chave do ótimo roteiro assinado por Coral Cruz.
O casal é formado por Ana (Antonia Zegers) e Matteo (Nestor Cantillana). O filme já começa em plena tensão, quando o casal discute por conta de ter deixado atrás, por castigo, o filho único, Lucas (Santiago Urbina).
Esta foi uma decisão extrema da mãe, depois de um incidente que só ao longo do filme se descobrirá como se desenrolou. Esta economia na revelação dos detalhes é parte da estratégia narrativa do diretor, que aqui se vale de planos-sequência e de diálogos muito ferinos e precisos para levantar o véu que recobre as aparências.
Por boa parte do filme, serão apenas esses os personagens da história, enquanto a ausência do menino, procurado obsessivamente, pesa como uma presença opressiva. Medo, culpa, angústia somam-se no espírito do casal, enquanto procura o filho e se degladia à procura de saídas de um verdadeiro labirinto emocional.
A um determinado ponto, somam-se aos dois uma dupla de policiais, chefiada pela sargento Carolina (Catalina Saavedra), que introduz um elemento a mais de temor. Haverá tempo de sobra para oferecer também a esta personagem feminina a oportunidade de uma interação muito verdadeira com Ana, que nada tem a ver com as catarses chorosas dos dramas familiares de Hollywood.
Matías Bize exerce aqui com maestria um controle dos elementos dramáticos que conta com o total engajamento dos atores, numa atmosfera ao mesmo tempo contida e intensa que tudo deve ao teatro - no melhor sentido. Temos aqui um huis clos a céu aberto, onde a proximidade da natureza é ameaça, em suas sombras e sons. Aliás, é primoroso também o desenho de som, assinado por Martín Grignaschi e que, ao lado da fotografia de Gabriel Díaz e da trilha sonora de Gustavo Pomenarec, fecham uma moldura de extrema qualidade ao filme, que foi premiado no Cine Ceará e festivais de Málaga, Tallin e Lima, entre outros.
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