Traição Entre Amigas tem sido vendido como um filme em que Larissa Manuela interpreta uma personagem adulta e ousada. E isso não deixa de ser verdade. Penélope é um atriz que tenta encontrar a fama e trabalhos, ao mesmo tempo, morando em Nova York, onde sonha com a Broadway, envolve-se com uma mulher, Anya (Nathalia Garcia), e um rapaz, David (Cadu Libonati) – o que gera cenas levemente tórridas.
Talvez isso seja o que irá gerar maior interesse no filme dirigido por Bruno Barreto, a partir do livro homônimo de Thalita Rebouças, com roteiro assinado por ela e Marcelo Saback. Acompanha-se as idas e vindas entre duas amigas, Penélope e Luiza (Giovanna Rispoli), que são próximas desde a infância e cursam teatro juntas. A primeira sonha em ser atriz de sucesso, e a segunda, dramaturga.
Acaba que, na noite da formatura, Penélope vai para a cama com o colega de turma Vicente (Dan Ferreira), por quem Luiza era apaixonada, e a amiga sabia disso. A traição não passa batida, as duas trocam farpas em redes sociais, e, para esquecer a ex-amiga, a jovem atriz viaja para Nova York. Lá, come o pão que Stanislavski amassou, em busca de uma chance que pode chegar quando ela se destaca nas audições para viver Carmen Miranda num musical na Broadway. (Curiosamente, poucas semanas atrás, Larissa disse numa entrevista que viverá a Pequena Notável num filme, também dirigido por Bruno Barreto. O diretor, em coletiva, disse que não tem nada acertado.)
Enquanto isso, no Brasil, Luiza fica sem rumo. Filha de pais de classe média alta, ela pode passar tempos sem trabalhar enquanto decide o que fará de seu futuro. Para matar o tempo, grava vídeos cantando no Youtube, que se tornam sucesso, e se apaixona por um estudante de medicina, Gabriel (André Luiz Frambach). Mesmo à distância, as vidas das duas ex-amigas parecem correr em paralelo, com alguns acontecimentos semelhantes nas trajetórias de ambas.
Lançado no ano 2000, o livro de Rebouças é um retrato de sua época que resiste a atualizações. Por mais que se coloquem na tela smartphones e redes sociais, a trama tem algo de obsoleto ao trazer duas mulheres, grandes amigas desde pequenas, brigando por causa de um ficante. O ano é 2025, esse tipo de representação parece atender apenas a devaneios de homens que sentem a necessidade ser o centro das atenções.
