O título estranho, com um travessão no meio da frase, é cortesia do distribuidor brasileiro que, como o título, parece não saber bem o que fazer com Entre Nós - Uma Dose Extra de Amor. Trata-se de uma comédia romântica que se vende como apimentadinha, mas, no fim, é mais conservadora do que o filme do anos de 1990 com o qual compartilha o título original Threesome, no Brasil chamado Três Formas de Amar.
Dirigido por Chad Hartigan, a partir do roteiro de Ethan Ogilby, o filme lida com uma suposta fantasia de quase todo homem heterossexual: um ménage à trois. E quando isso acontece, Connor (Jonah Hauer-King) pensa que tirou a sorte grande, pois ele e sua esposa, Olivia (Zoey Deutch), passam a noite com a bela Jenny (Ruby Cruz). Tudo acontece muito na sugestão, pois é um filme bastante pudico – tão pudico quanto punitivista.
Depois da noite de loucuras discretas, todos os personagens são punidos em maior ou menor grau ao longo do tempo. As reviravoltas e coincidência, dignas de novelas mexicanas em seus exageros, são tratadas de forma realista pelo diretor e o elenco, que é bastante esforçado – e essa é a maior qualidade do filme.
Coloca-se ao centro as duas mulheres, que se descobrem grávidas do mesmo homem, Connor. Cada uma responde de forma diferente à gravidez indesejada, e ele, também, de forma distinta relação às duas mulheres. A narrativa confusa, marcada por diálogos pouco naturais, talvez quisesse flertar com as comédias amalucadas, as screwball comedies, dos anos de 1930 e 1940, mas acaba ficando aquém de outro filme recente que também lida com as complicações de relacionamentos cruzados, Amores à Parte, lançado há poucos meses.
