Pouco antes de morrer, em 2020, o locutor de rodeios Waldemar Ruy dos Santos, conhecido como Asa Branca, pediu desculpas por seu envolvimento em maus-tratos contra animais nas competições. Enquanto tratava de um câncer agressivo, chegou a dizer que seus problemas de saúde – que incluíam o vírus HIV – eram um castigo pelo que causou aos animais.
Nada disso, no entanto, aparece no filmes Asa Branca – A Voz da Arena, de Guga Sander, que mostra o início da carreira do ex-boiadeiro como locutor. Afinal, a ideia do longa é vender o agro como pop e do bem, gerando diversão ao público. Com roteiro de Celso Duvecchi, Fernando Honesko, Rafael Câmara e Pedro Penna, o filme toca de leve em polêmicas, como o vício em drogas, da vida de Asa Branca - afinal, precisa de um redenção no final.
Asa Branca é interpretado por Felipe Simas, e, na tela, surge como um personagem sem graça, destituído de nuances e complexidades. Ele começa como peão de rodeio, mas um acidente grave o tira da arena. Ainda em fase de recuperação, descobre que tem talento para narrar as competições de forma menos sisuda e mais criativa do que acontecia na época.
O filme é, basicamente, sua ascensão como essa figura que ficou conhecida nos anos de 1990, ignorando completamente sua trajetória depois disso, como os problemas de saúde e o arrependimento. Há uma história de amor, com a professora Sandra (Lara Tremouroux), que representa a pureza do campo diante do mundano do dinheiro que seduz o protagonista por um tempo, até que ele perceba que seu lugar é ao lado de Sandra e longe das drogas.
Já os coadjuvantes não existem para além de circularem ao redor de Asa Branca, como é o caso do peão Miltinho (Ravel Andrade) e a técnica de som Jibóia (Camila Brandão). Essa personagem, particularmente, é um caso interessante. Claramente, Brandão é bem melhor do que lhe deram como personagem – uma garota lésbica e de atitude rock ‘n‘ roll, que está sempre com um pirulito na boca. A atriz se esforça e até se destaca num filme plano que pouco se esforça para além do trivial.
