02/07/2026

No final dos anos 1950, na França, críticos da renomada revista Cahiers du Cinéma passam à direção, criando filmes inovadores como "Acossado", de Jean-Luc Godard - que teve uma filmagem cheia de incidentes. No Telecine.

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Desde o título, o filme do norte-americano Richard Linklater homenageia o movimento que renovou o cinema francês no final dos anos 1950, espalhando sua influência pelo mundo inteiro. Com uma bela fotografia em preto-e-branco, o relato acompanha as tumultuadas filmagens de Acossado, o primeiro filme do até então crítico da revista Cahiers du Cinéma Jean-Luc Godard (Guillaume Marbeck), a partir de um roteiro do colega François Truffaut (Adrien Rouyard), que acaba de triunfar em Cannes com um prêmio de direção para Os Incompreendidos (1959).

Mesmo delicado e simpático como inegavelmente é, não se pode evitar uma sensação de que o filme de Linklater prega para convertidos, porque todo cinéfilo que se preza conhece a maioria deste incidentes que marcaram Acossado, que deslanchou a carreira do diretor e dos atores Jean Seberg (Zoey Deutch) e Jean-Paul Belmondo (Aubry Dullin), contra toda a expectativa em contrário, até mesmo deles.

Para este público familiarizado com a história do movimento da Nouvelle Vague, poderá até ser um joguinho divertido procurar adivinhar quem são as novas caras que aparecem em cena a todo momento, encaixando-os como que num quebra-cabeças.

Por outro lado, pode ser que, para novas gerações, esses incidentes da filmagem e a personalidade controvertida de Godard não sejam tão conhecidos. Então, a obra poderá ter, de algum modo, um aspecto didático, especialmente para platéias não-francesas. Mas, em nenhum momento, se tem a sensação de que o filme irá passar desse sutil retrato de uma época, procurando talvez absorver seu espírito.

De todo modo, Nouvelle Vague é inegavelmente uma homenagem terna, o que transpira inclusive nesta fotografia em P & B (de David Chambille) que remete a um álbum de retratos e nos lembra que o movimento é, a esta altura, História. Por tudo isso, poderia muito bem ter sido o filme de abertura do Festival de Cannes em 2025, substituindo o musical chatinho O Segredo da Chef, atração do recente Festival do Cinema Francês.

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