Vencedor do prêmio de melhor roteiro e também do júri ecumênico em Cannes, os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne imprimem impacto emocional a este Jovens Mães, um drama que retrata os dilemas de uma série de mães solteiras adolescentes, às voltas com famílias desestruturadas, parceiros imaturos e suas próprias fragilidades para encarar a maternidade e o próprio futuro.
Não é uma obra à altura de Rosetta e A Criança, as Palmas de Ouro destes incansáveis diretores humanistas, em 1999 e 2005, nem de outros títulos fortes, como O Filho, mas certamente é melhor do que os mais recentes Tori e Lokita e O Jovem Ahmed - porque toma o pulso de uma situação contemporânea, a maternidade precoce, inclusive em outros países, como o Brasil, num contexto europeu, em que certamente a assistência social é mais ampla. Ainda assim, entra em foco a fragilidade humana destas personagens em seu começo de vida atribulado, a que ainda irá somar-se a vulnerabilidade das próprias crianças, vindo ao mundo num contexto desfavorável.
De todo modo, os Dardenne conseguem criar uma série de personagens críveis, de carne e osso, que se debatem com problemas profundamente humanos e comuns - por isso, podem ficar mais próximos do entendimento e da sensibilidade do público. São particularmente candentes os dilemas destas garotas ainda tão jovens em relação ao futuro, tendo em conta não raro uma história familiar problemática - como é o caso de Jessica (Babette Verbeek), que foi dada em adoção quando bebê por uma mãe (India Hair) numa situação bastante próxima da sua, e cujo reencontro não traz a Jessica as emoções que esperava.
O radar destes diretores continua afiado para as questões mais candentes do mundo ao seu redor.
