02/07/2026
Drama

Eu, que Te Amei

Simone Signoret e Yves Montand vivem um casamento marcado pelo companheirismo e afinidades políticas, mas também repleto de crises e altos e baixos. Nos cinemas.

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Eu, que te amei começa de uma maneira, no mínimo, brechtiana. Os atores Marina Foïs e Roschdy Zem aparecem se preparando para interpretar, no filme, a atriz Simone Signoret e o ator e cantor Yves Montand, dois ícones da cultura francesa. Essas primeiras cenas têm quase um teor documental, mas servem, também, com o propósito de estabelecer as intenções da diretora Diane Kurys: a desconstrução dos mitos célebres. 

Signoret e Montand formaram um casal que se destacou nos anos de 1960 e 1970 não apenas nas artes mas, também, em suas vidas particulares, num relacionamento conturbado e, na maior parte das vezes, sob os holofotes, dado o tamanho da fama de ambos, embora ela já tivesse abandonado as telas. Ele, por sua vez, estava no auge de sua carreira e colecionava amantes mais jovens. 

As intenções do filme estão longe de querer desvendar quem foram Signoret e Montand, ou as contradições do casamento marcado pelo afeto e a militância esquerdista. Kurys, que assina o roteiro com Martine Moriconi, transita numa zona mais acinzentada da representação, lembrando-nos de que mesmo as figuras públicas, que julgamos conhecer bem, estão representando personas em sua fama. 

É uma tentativa mais moderna de observar o passado com suas dinâmicas e morais particulares. Numa narrativa que gira sempre em torno de si mesma, o filme nem sempre consegue retomar seu fôlego com essa história de traições e reconciliações ou superações, mas o retrato das personagens não deixa de ser marcante – em especial pelas atuações de Foïs e Zem. 

O comportamento de Montand, tantas décadas depois, soa ainda mais reprovável, enquanto Signoret conquista um status mais digna em sua posição de não aceitar o papel de vítima. Ela é uma personagem de tintas nobres em sua coragem em lidar com seu envelhecimento de forma sincera, o que irrita ainda mais o marido, que recusa a acreditar que sua fama e beleza passarão. 

Ao investir tanto na psicologia das personagens, Kurys deixa de lado algo do esmero formal do cinema. Seu começo é melhor do que o desenvolvimento, e a estética quase televisiva nem sempre está à altura de Signoret e Montand, ou das atuações de Foïs e Zem. 

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